Fernanda Berti se desdobra e é feliz. A oportunidade de ser uma atleta de vôlei de praia de alto rendimento e mãe de Luan e Yago, de 10 meses, meio que veio por acaso, mas foi muito, muito bem recebida. Passado o susto, a gravidez foi desfrutada e, embora houvesse a preocupação com o que aconteceria com a sua carreira quando os gêmeos nascessem, tudo foi encarado de maneira leve.
Nenhuma decisão precipitada foi tomada. Apenas agora, quando Fernanda Berti voltou a jogar, ela teve a certeza que é possível. Não que seja fácil. Não é. Mas a atleta tem se dedicado e conseguido, aos poucos, organizar a vida e dividir o amor entre os bebês e o vôlei de praia.
Nesta entrevista exclusiva ao site Na Nossa Rede, Berti conta um pouco sobre esse momento novo e tão especial na sua vida e carreira e relembra como foi a transição do vôlei de quadra para a areia. Depois de passar por equipes como Oi/Campos, Vôlei Futuro, São Caetano, Brasil Telecom, Pinheiros, entre outras, de ter jogado no Japão e, inclusive, integrado as seleções brasileiras de base, Fernanda recebeu o convite para migrar e aceitou o desafio.
Hoje, completamente apaixonada pelo estilo de vida proporcionado pelo vôlei de praia, Fernanda Berti está completa. Afinal, ela tem conseguido unir o esporte e os filhos em um único ambiente: o do amor.
– Como foi a decisão de trocar a quadra pela areia? O que te motivou a isso?
Eu recebi um convite da CBV para migrar para a praia. Eles estavam buscando jogadoras mais altas para jogar vôlei de praia. Sempre tive vontade de jogar na areia, mas era uma decisão difícil de tomar. Trocar uma carreira já consolidada na quadra por uma incerta na praia não é fácil, mas resolvi encarar o desafio.
– A gente ouve dizer que o atleta tem que aprender a andar na areia antes de aprender a jogar… rs… Foi uma transição difícil?
(risos) Pois é… Foi sim! Apesar de ser saque, passe e Side out, é tudo muito diferente! Sem contar o ambiente que já é mais difícil com sol, areia, vento. São sempre condições diversas que você encontra em cada torneio. Na praia você exerce mais funções, toma mais decisões, tem mais responsabilidade sobre a derrota e vitória do seu time. Isso é muito bom e, às vezes, é muito ruim. Afinal, quando você está mal no jogo não tem quem te substitua. (risos) E, ao mesmo tempo, isso é ótimo porque te faz sair de uma situação adversa que, de repente, na quadra você não teria esse tempo porque seria substituída (risos). Bom, tem um milhão de coisas que poderia citar de exemplo, mas acho que isso que me chama mais atenção na praia. É um jogo que te exige mais do psicológico e do físico.
– Bom, aí, quando você estava com a carreira consolidada no vôlei de praia, com uma parceira experiente, a Taiana, veio a gravidez… Óbvio que uma gravidez é sempre bem-vinda, quanto mais de dois, mas você chegou a se preocupar em como seria esse tempo parada?
No final de 2019, eu não classifiquei para a Olimpíada do Japão e isso me causou uma frustração muito grande. Eu me dediquei muito para isso e a classificação acabou não vindo. Então, acho que inconscientemente eu estava buscando alguma coisa na minha vida. A gravidez não foi planejada, mas acho que muito aconteceu por conta disso. Claro, tomei um susto na hora e veio uma duvida muito grande se eu voltaria a jogar. Dois bebês, muitas viagens, e fui deixando o tempo passar para não tomar nenhuma decisão precipitada. A minha vontade era voltar a jogar. Eu gosto muito, ainda me sinto muito bem jogando vôlei e não me via encerrando esse ciclo. Então, decidi voltar, mesmo com todas as dificuldades. No vôlei de praia não tem muito apoio, é o atleta que banca o time e estou enfrentando essa dificuldade nessa volta. Gostaria muito de continuar, estou correndo atrás de patrocínio, de apoio, porque bancar as viagens, um time é difícil. Mas, ao mesmo tempo, me senti super bem nessa volta. Era uma dúvida, já que o corpo da mulher passa por varias mudanças. A gravidez mexe muito com isso eu tinha essa questão também, mas estou me sentindo muito bem apesar de não estar treinando como gostaria, nem o ritmo, nem o tempo que e tinha para me dedicar. Não estou tendo esse tempo todo e mesmo assim estou me sentindo super bem jogando. Vou continuar na luta.
– Agora vocês estão em duas mamães? Isso ajuda ou dificulta ainda mais a rotina do time? risos…
Acho que ajuda. A Maria voltou antes e já conhecia um pouco o caminho das pedras de como organizar a vida. Eu ainda não consegui organizar a minha como ela já conseguiu, mas ajuda na questão de compreensão, empatia, já que quando vive a situação você entende muito melhor. Por mais que uma pessoa que não tenha filhos fosse me compreender, ela com certeza compreende literalmente. (risos)
– E quais são os planos desse time daqui pra frente?
Eu não tinha grandes planos e nem sabia o que eu faria, como ia ser a minha volta e etc. Mas, as coisas estão caminhando e estou vendo que é possível voltar, voltar bem e organizar a vida dentro de uma situação ideal que um time de alto rendimento necessita. Quero conseguir voltar a fazer tudo que fazia antes, especialmente o extra-quadra como academia e fisioterapia, porque os treinos eu tenho conseguido. Vamos devagar, etapa por etapa e vendo ate onde que posso ir. Estou bem animada, motivada, principalmente agora que joguei os torneios e vi que é possível ter a vida de jogadora de vôlei de praia mesmo cuidando de dois bebês.






