Eu não sei se você sabe, mas Wallace Martins começou sua carreira esportiva no Atletismo. Na época ainda morava no Rio de Janeiro, sua cidade natal, e deu os primeiros passos no esporte no projeto social da Mangueira. Mas, foi o vôlei que encheu o ex-oposto de histórias e boas lembranças. Atualmente aposentado das quadras, aos 38 anos Wallace não está longe delas. É gestor do projeto AW18Vôlei, que dá aulas de mini-vôlei para uma turma de 20 alunas meninas em São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, cidade da sua esposa, Fran.
Nesta atual vivência, Wallace consegue transferir um pouco de tudo que aprendeu ao longo de 22 anos de carreira (dois no Atletismo e 20 no vôlei). E pensar que a ideia surgiu através do interesse de sua filha, Sofia, de 13 anos.
“A vontade de ter a escolinha surgiu em Portugal, no meu último ano jogando, onde a minha filha fazia parte de um time de mini-vôlei que ela adorou. Ela já fazia vôlei aqui no Brasil, mas com essa metodologia de mini-vôlei ela não tinha participado. E com tudo adaptado e voltado para o tamanho, habilidades e capacidades das crianças, a evolução dela foi muito grande”, contou Wallace.
Na volta para o Brasil, quando Sofia tinha 10, São Miguel do Oeste não tinha algo parecido. E o que Wallace fez? Criou uma escolinha para que a filha não parasse o seu desenvolvimento no vôlei. E se a ideia inicial era essa, o projeto ganhou proporções maiores e hoje atende a 20 meninas e com possibilidades de abrir mais uma turma.
“Prometi a Sofia que, se era realmente aquilo que ela queria, eu faria o possível para que ela pudesse seguir. Esse é um projeto familiar, que tem um treinador e eu estou ali ara dar todo o suporte e poder contribuir com a experiência do que vivi durante todos esses anos. Hoje temos uma turma com 20 meninas. Estamos estudando a possibilidade de abrir para mais uma turma, porque temos interesse de outras meninas”, disse o ex-jogador.
A experiência por ali é uma via de mão dupla. Quando perguntado se estar no projeto é uma forma de seguir perto do vôlei, Wallace não titubeou. “Não deixa de ser”, disse o atual gestor, que complementou. “E é algo apaixonante. Poder contribuir para o desenvolvimento e crescimento dessas crianças é muito gratificante. É muito prazeroso estar com elas, compartilhar as experiências, responder as suas curiosidades. E vejo isso também como uma contribuição a algo que me deu tanto na vida. É, sim, uma forma de estar perto desse esporte que eu sigo amando mesmo sendo um ex-jogador”.
O amor não encerra junto com a carreira. E Wallace sabe disso. Depois de tantos bons momentos vividos, amizades que seguem fazendo parte da sua vida, e de tanto aprendizado, o vôlei segue sendo parte da vida do ex-atleta.
“São muitas as lembranças e boas lembranças. Desde o começo, quando passei na peneira da Olympikus, sem saber jogar direito e passei em uma peneira tão grande como era aquela mesmo já tarde, com quase 16 anos. Foi uma experiência incrível. Depois, chegar a um time adulto, vestir a camisa da seleção brasileira adulta no Rio de Janeiro, com o Maracanãzinho lotado, na minha cidade natal, com a minha família ali, cantar o hino nacional, foi incrível. Ser campeão da Superliga no Mineirinho lotado contra o Cruzeiro. Poder, depois de quatro cirurgias, fazer minha última final no Brasil, em Brasília, podendo entrar em quadra com a minha filha e ela viver essa experiência também foi inesquecível”, relembrou Wallace.

E o ex-oposto segue com boas lembranças. “Tudo isso eu vivi junto com a minha família, com a minha esposa, minha primeira e única namorada e que sempre compartilhou tudo muito intensamente comigo. Lembro também do vestiário, as amizades que fiz. Essas são as coisas que sinto falta. Não sinto falta de jogar, nem de treinar. Mas dos amigos verdadeiros que fiz, as concentrações, as viagens, isso tudo é muito legal e se pudesse voltaria a viver novamente”, garantiu Wallace.
Voltar a jogar realmente não está nos planos, mas recordar sobre tudo o que o vôlei representa na sua vida parece ter sido especial para Wallace.
“O vôlei me deu muitos presentes. O esporte me deu muitos presentes. Comecei no atletismo e depois migrei para o vôlei e acho que o esporte me deu esperança. Esperança de mudar a minha história, contribuir com algo e, graças a Deus, eu consegui. Com todas as dificuldades, todos os problemas ao longo dessa jornada, mas o esporte me deu dignidade, a possibilidade de, através do vôlei, conhecer a minha esposa, construir uma família. Esses são os maiores presentes que o vôlei me deu”, finalizou Wallace Martins. O ex-oposto fez história em clubes como Olympikus, Unisul, Santa Croce, na Itália, teve passagem marcante pelo voleibol argentino, em especial no Bolívar Voley, ainda defendeu o Sesi-SP, o Suntory Sunbirds, do Japão, Brasil Kirin, voltou ao Japão para jogar pelo Osaka Blazers Sakai e encerrou a carreira no Sporting Clube de Portugal.


