Você que acompanha vôlei já deve ter reparado um profissional sentadinho atrás das placas de publicidade no fundo de quadra ou umas câmeras presas por ali no vôlei de praia. E você que é fã de vôlei mesmo deve saber que se trata do analista de desempenho – antigamente chamado de estatístico. Mas, você sabe direitinho como é o trabalho realizado nesta área?
Para explicar um pouco melhor sobre ela, ouvimos o analista de desempenho da seleção masculina e auxiliar técnico do Sesi Vôlei Bauru, Henrique Modenesi, e o analista de desempenho do time Bárbara e Carol, Ricardo Seixas, que nos contaram sobre o dia a dia nesta função agitada de filmar jogos, editar vídeos, alimentar a comissão técnica, os jogadores, estudar, ajudar no treino e tudo mais o que for preciso.
A primeira informação básica é: não precisa ter sido jogador de vôlei para se tornar um analista de desempenho. Porém, Modenesi dá uma dica. “O mais importante é ter tido algum contato com a modalidade, pois o principal é entender de voleibol, saber os conceitos dos fundamentos e analisar o jogo taticamente”, alertou o profissional.

O trabalho, segundo Modenesi, começou naturalmente, há 12 anos. E ele faz questão de agradecer a quem o inseriu na área.
“Eu fiquei dois anos numa equipe como assistente técnico e esse equipe perdeu o patrocínio no final da temporada. Surgiu a oportunidade de trabalhar como analista de desempenho no Sesi-SP masculino assim que o Giovane Gávio montou a equipe em 2009. Quem me convidou e me ensinou a usar o Data Volley foi o Pedro Uehara (Peu), que hoje é técnico de São José. Sou grato a ele por ter me ajudado e me iniciado na função”, contou Henrique.
O analista de desempenho acompanha todas as viagens da seleção brasileira e é responsável por filmar os jogos da própria equipe e também os adversários. Através destes vídeos, editados pelo próprio Henrique, a comissão técnica liderada por Renan estuda e monta a melhor estratégia para enfrentar o próximo adversário. Isso é regra em todos os jogos.
“Estar na seleção brasileira masculina assistindo a todos os jogos ao vivo e participando de diversos campeonatos do mais alto nível é fantástico”, disse Henrique Modenesi.
Para Ricardo Seixas, a função mais importante de um analista de desempenho é justamente essa de abastecer sua comissão técnica com todas as informações necessárias para que ela possa fazer a melhor preparação possível para o seu time.
“Na minha opinião, a principal função de um analista de desempenho é coletar o maior número de informações a respeito do seu time para que, em cima dessas informações, a comissão técnica possa melhorar o aproveitamento e desempenho dessas atletas. Em relação ao adversário, é fundamental ter essas informações para que a comissão possa conhecer o máximo possível e, assim, montar a melhor tática para jogar contra ele”, detalhou Ricardo.

Ao lado de Letícia Pessoa, uma das técnicas mais consagradas do vôlei de praia brasileiro, forma uma dupla que vem dando ótimos resultados ao longo dos anos.
“A Letícia super valoriza esse trabalho, sempre valorizou, inclusive sendo uma das pioneiras nesta área. Ela trabalha com isso há muito tempo. Quando fui trabalhar com ela, na época com o Alison e Emanuel, ninguém filmava jogo. Eu era um dos poucos que fazia isso e as pessoas até me perguntavam porque eu filmava tantos jogos”, lembrou Ricardo.
O analista de desempenho é irmão da medalhista olímpica e atual campeã do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, Bárbara Seixas. Portanto, trabalhar na equipe dela acabou sendo algo natural.
“A Letícia me chamou para estar neste time da Bárbara e da Carol Solberg. Eu já trabalhava com a minha irmã no time anterior, com a Carol Horta, então foi algo natural. Eu já trabalhei com a Leticia por muitos anos. Ela me deu a primeira oportunidade com Alison e Emanuel, em 2010. Trabalhamos juntos até o começo de 2015 e voltei em 2020”, contou Ricardo Seixas.
O profissional tem duas medalhas olímpicas no currículo. A primeira justamente com Alison e Emanuel, em 2012, em Londres, e com Ágatha e Bárbara no Rio de Janeiro, em 2016.