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Fabíola encara doença, se recupera e vira lei no Distrito Federal

A fase foi difícil. Foram dois anos e nove meses longe das quadras de vôlei de praia por um motivo bem cruel: um câncer de mama detectado aos 35 anos. Hoje, com 37, Fabíola Consttancio está recuperada, em condições de jogar, mas enfrentou outro problema: a perda dos pontos no ranking do campeonato nacional. Com base nisso, a história da atleta virou projeto de lei. Na noite de ontem (07.12), a lei foi aprovada na Câmara legislativa do DF e aguarda sanção do governador.

Com isso, Fabiola poderá dar nome a uma lei no Distrito Federal. A proposta, prevista no projeto de lei nº 2.349/21, passou pelo plenário da Câmara Legislativa na noite ontem (07.12). Aprovado em dois turnos e redação final, o texto visa a garantir a manutenção da pontuação, no ranking de competições esportivas realizadas no DF, aos atletas licenciados por longos períodos para tratamento de saúde.

Ao saber da notícia, a alegria e o orgulho tomaram conta de Fabíola Consttancio, que conta em entrevista exclusiva Na Nossa Rede sobre como enfrentou a doença, os momentos difíceis e a fase atual da sua vida e carreira.  

Fabíola (à esquerda) na sua volta pós-câncer (Foto: CBV)

– Bom, já passou um tempo e você está bem, mas imagino que tenha sido uma fase difícil a que você atravessou, né… Qual foi o maior aprendizado que tudo isso te deixou?

Sim, não é fácil passar por um câncer. Todas as pessoas que enfrentam a doença pra mim são como heróis e têm a minha real admiração. Muitos descobrem a fortaleza que são neste momento e eu sou uma dessas pessoas. Foram vários e importantes aprendizados. Não tenho como classificar apenas um. Mas acho que agradecer a Deus pela saúde é o primordial. Sem saúde não somos nada e não fazemos nada. Isso ficou muito claro pra mim. Por ter sido atleta a vida inteira, me ver limitada e frágil me fez repensar em muitas coisas. Aprendi que por mais que planejemos algo, de uma hora pra outra, tudo pode ficar de stand by, que por maiores que sejam nossos sonhos e objetivos, nossa vida não se resume a isso, então, podemos nos dividir entre família, trabalho, relacionamentos, sonhos, etc. E acima de tudo, esse momento me mostrou como sou amada por Deus e que minha história tem um propósito maior que Ele preparou pra mim.

– Houve problemas na sua volta as competições? Essa questão da pontuação atrapalhou?

Sim. A CBV zerou minha pontuação. Isso foi um desgaste emocional muito forte. Tinha treinado um ano pra voltar para o torneio Open e não “poder” jogar me causou uma frustração sem tamanho. Fiquei mal, mal mesmo. Há mais de um mês que não treinava exatamente por causa dessa situação e retornei essa semana. Juro que não estava preparada para isso. Mas como todo mal vem para um bem e acredito em propósitos, creio que tudo isso aconteceu para um bem maior. A história da Lei, por exemplo.

– E como foi o contato para a ideia da criação desse projeto de lei?

A assessoria do deputado Dalmasso me procurou e me amparou nesse momento difícil. Eu já vinha com essa ideia da lei desde que percebi a injustiça que estava passando e decidi que não queria que outros atletas passassem no futuro. Ele literalmente segurou minha mão e abraçou a causa. Sou muito grata a ele e a equipe, que estão lutando por isso.

– E qual é a sensação de saber que o projeto de lei foi aprovado?

Acho que estou anestesiada até agora. Foi como lavar a alma. Essa foi a sensação que eu tive. Passou um filme na minha caneca desses últimos tempos. Desde que começou essa briga pelo retorno da minha pontuação e principalmente nessas ultimas semanas quando me dei conta que treinei um ano e não pude competir. Isso me fez muito mal, fui parar no hospital e me questionei se estava fazendo a coisa certa. Foi muito difícil passar por essa fase, então quando eu recebi essa notícia eu despenquei. Vi que eu precisava passar por tudo isso. Me derrubou, mas me fortaleceu. Eu não parava de chorar.  Fiquei visualizando várias coisas que ainda tenho muita vontade de viver dentro de quadra. Estou muito emocionada e extremamente feliz. Valeu a pena ter passado por tudo porque quero deixar esse legado. O deputado Delmasso abraçou a minha causa e eu sou muito grata.

– Qual é o tamanho do orgulho que você sente hoje vendo algo dessa dimensão acontecendo por uma iniciativa sua, de uma luta absolutamente justa?

Olha, talvez eu ainda não entenda a dimensão de tudo. Tudo o que fiz até agora foi por puro senso de justiça e solidariedade às pessoas que passam por essa situação e a mim mesma. Como disse no começo, admiro todos os guerreiros que passam por um tratamento de câncer exatamente porque sei o que é isso, e sei que não é fácil. Esse é o maior motivo de não deixar que desrespeitem nem a minha e nem a história de ninguém que teve que lutar pela própria vida e só quer ter o direito de voltar a fazer o que ama.

Fabíola em quadra antes da doença (Foto: reprodução Instagram)

Notícia oficial:

https://www.cl.df.gov.br/-/lei-fab-c3-adola-const-c3-a2ncio-c3-a9-aprovada-em-benef-c3-adcio-de-atletas