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Fernanda Tomé conta como é a rotina de vida e no vôlei vivendo na Tailândia

Aos 32 anos, a jogadora de vôlei Fernanda Tomé vive uma experiência de vida um pouco diferente e justamente por causa do esporte que escolheu como profissão. A ponteira mora atualmente na Tailândia, onde tem aprendido muito, evoluído como pessoa e onde também tem sentido um crescimento do seu voleibol.

Nesse bate-papo, Fê Tomé conta sobre a decisão de passar um período de seis meses de preparação, sobre a rotina de trabalho, as diferenças entre o vôlei brasileiro e o tailandês, e um pouquinho sobre todo o aprendizado que tem acumulado desde que chegou ao país asiático, em outubro de 2021, para defender o Diamond Food VC.

 A jogadora brasileira, que já defendeu clubes como Fluminense, Osasco, São Caetano, e que já representou a seleção brasileira em duas competições em 2017, deixa claro que, com coragem e fé, fica fácil encarar e, na sequência, usufruir de oportunidades que surgem e que chegam para fazer o bem.

Fernanda Tomé esta feliz na Tailândia (Foto: arquivo pessoal)

– Como começou essa ideia de jogar vôlei na Tailândia?

Eu nem imaginava que um dia eu poderia estar aqui na Tailândia jogando. Deus me preparou para estar aqui. Terminei a temporada 20/21 no Fluminense e fiquei seis meses de férias. Longas, né? Mas foi o diferencial para eu ter chegado aqui bem preparada fisicamente. Foram seis meses dedicados a minha recuperação e preparação física. Fiz tudo o que tinha para fazer com acompanhamentos que foram essenciais nisso. Em alguns momentos fiz até mais do que deveria (risos). No sexto mês, quando surgiu a proposta para vir para cá eu já estava pronta 100% fisicamente. Na hora o coração disparou e eu pensei: Tailândia? Mas tudo foi fluindo bem, era mesmo para eu estar aqui, comecei a orar para Deus me ajudar na resposta para eu aceitar vir, e assim Ele o fez. Em dias eu já tinha confirmado a minha vinda, foi uma sensação de alívio quando tudo se confirmou, me senti em paz com o sim, pois eu sabia que estava pronta para este novo desafio. Corremos atrás das documentações, demorou um pouco por conta da pandemia. Mas deu tudo certo e em outubro eu cheguei aqui.

– Como é a vida e como é o vôlei na Tailândia?

A vida aqui é totalmente diferente do Brasil, mas minha adaptação foi rápida. A Tailândia é um país extremamente agitado, até falo que é um país que não dorme (risos). Uma das coisas que tive que me adaptar rápido foi com a alimentação. Aqui a maioria das pessoas não cozinha em casa por ter muitas feiras na ruas e o custo da comida ser baixo. A comida é muito diferente, muita coisa crua, e uma comida muito apimentada. Tive dificuldades e passei a cozinhar em casa. Com o supermercado foi tudo bem (risos), então consigo comer muito bem. Trouxe todas as minhas vitaminas e suplementos do Brasil, o que ajuda muito. No vôlei a rotina também é muito diferente. Tanto a rotina de treinos como a de jogos, que, por sinal, é tudo muito rápido. Também sofri um pouco na adaptação, mas eu tenho facilidade de me adaptar. Aqui, além de se treinar muito, eles são muito puxados. Treinamos todos os dias da semana, quando os jogos não são três vezes na semana e tem dias que chegamos a saltar de manhã e a tarde, com o treino da tarde durando 3h30 todos os dias. Pela manhã treinamos 2h30, contando com a parte física. Todos os dias temos parte física. Quando não é musculação, temos circuito de agilidade na quadra, e aqui por ser muito quente, úmido, também sofri nas primeiras semanas.

– E esse período que você escolheu ficar de férias foi positivo, então?

Hoje eu agradeço por esses seis meses, onde me dediquei muito e cheguei aqui pronta. Atualmente me encontro na minha melhor fase fisicamente e evoluí muito aqui pela característica rápida dos treinos e jogos. Eu com 1m94 vejo o quanto evolui em todos os fundamentos, principalmente no fundo de quadra, que exige muito de mim. Estou muito feliz. Ver minha evolução dia após dia tem sido gratificante para mim. Estamos em segundo lugar na liga, já nos preparando para a reta final, que começa agora no último final de semana de fevereiro e com a final em 6 de março. E depois, para encerrar a temporada, teremos o Campeonato asiático de clubes, que será em abril/maio, na Rússia. Esta sendo uma temporada de muito aprendizado, muita evolução e a cada dia vou me aperfeiçoando mais e mais.

– Qual tem sido o maior aprendizado nessa experiência?

Sem dúvidas foi que eu ainda não sabia o limite do meu corpo como atleta. Hoje eu sei que posso ir muito além do que eu imaginava e sei também o quanto nós, atletas, somos fortes e capazes de suportar muitas coisas que às vezes nós nem imaginamos que iriamos passar um dia. Quero terminar essa temporada com a sensação de dever cumprido, com aquele sentimento bom de ter dado tudo o que eu tinha pra dar aqui.

– Você conta com algum outro brasileiro por perto?

Nenhuma… risos.. No meu time tem uma cubana e fizemos uma amizade linda. Chegamos a passar mais tempo na quadra juntas do que cada uma na sua casa. De brasileiros por perto mesmo só o meu marido, que me ajuda muito.

Fernanda com a cubana Liannes, sua companheira de time e amiga (Foto: arquivo pessoal)