Nunca é fácil atravessar um período de lesão. E com Dani Terra não poderia ser diferente. A líbero lesionou o quadril na temporada passada e fez todo o processo de recuperação no Sportville, o centro de treinamento do técnico José Roberto Guimarães, sob os cuidados do fisioterapeuta Fernando Fernandes, o Fernandinho. A jogadora sofreu, superou e se recuperou. Hoje, 100% recuperada, e aos 27 anos, vive uma experiência nova, que é jogar na Bulgária.
Dani vive na cidade de Kazanlak, onde defende o time Kazanlak Volley, e está feliz. Os obstáculos foram superados e funcionaram como aprendizado para a líbero, principalmente depois de tudo que passou praticamente em silêncio. Agora, Dani Terra resolveu falar.
“Uma lesão na vida de um atleta é um momento extremamente difícil em diversos aspectos. Acho que eu nunca cheguei a falar abertamente e nem compartilhar muito a minha lesão e recuperação. Foi um momento de muita introspecção, em que eu senti que deveria focar completamente em mim física, emocional e psicologicamente. E uma fase de muita determinação, para passar por isso da melhor e mais rápida maneira”, disse Dani Terra.

A jogadora acreditou na época, e ainda hoje, que a decisão de foca em si e se manter mais silenciosa foi fundamental para que conseguisse encarar de frente tudo o que aconteceu.
“Acho que naquele momento isso me ajudou muito. Eu fui instruída sobre o que eu precisava fazer, então eu ia lá e fazia, todos os dias, por meses. O foco era voltar a jogar voleibol em alto nível e fazia tudo o que podia para atingir esse objetivo. Claro que não foi simples. Foi um processo de muitos altos e baixos, muitas dúvidas, questionamentos, medos e incertezas. É muito complexo explicar para quem nunca teve uma experiência parecida”, contou Dani.
O carinho e o cuidado que teve ao seu redor nesta fase também fez toda a diferença na recuperação. “Outra coisa que me ajudou foram as pessoas que eu tive do meu lado nesse processo. Da minha família, que me deu todo tipo de suporte que eu precisei, e da equipe de pessoas e profissionais que me ajudaram nesse período. O Zé Roberto e a sua família me receberam de portas abertas e com todo o suporte do Sportville, e toda a equipe do Barueri, principalmente da equipe médica, sob o cuidado do Fernandinho e do Dani Kan”, disse.
Os dois fisioterapeutas citadas são realmente fundamentais neste processo. “Não sei dizer o que seria da minha recuperação e da minha carreira pós lesão sem eles. Foram horas diárias, durante meses, de trabalho intenso e muita dedicação deles comigo. O Fernandinho vai além da fisioterapia. Ele me ajudou a passar por períodos de desamparo, a enfrentar monstrinhos que a nossa cabeça cria em horas de exaustão mental e física, me ajudou a entender o que eu estava passando e como sair de momentos psicologicamente desafiadores”, contou Dani.

Mas, como tudo tem um lado bom na vida, até mesmo atravessar uma lesão representou algo importante para a atleta. “Tudo isso me ajudou também a um momento de realização, em que eu pude realmente enxergar o tamanho da força e da determinação que tenho dentro de mim. Da força que todos podemos ter dentro de nós, quando decidimos fazer tudo o que podemos por aquilo que amamos”, destacou a jogadora.
Recuperada física e psicologicamente, Dani Terra, então, se viu de frente com mais um desafio: jogar fora do país. Na Bulgária. A líbero, então, optou por aceitar a proposta e viver essa nova experiência em sua carreira.
“Eu sempre tive vontade de ter experiências fora do Brasil e isso não teve correlação com a minha lesão ou recuperação. Foi apenas uma escolha tomada frente a realidade que eu estava enfrentando no momento de decidir os próximos passos da minha carreira. Na hora foi um misto de sentimentos. Eu fiquei surpresa ao receber a proposta, porque realmente a Bulgária não era um país que passava pela minha cabeça, e fiquei animada com o desafio, tanto profissional como pessoal”.

Viver na Bulgária não é exatamente algo tão simples no dia a fia. Há um obstáculo grande com a língua, nem todas as companheiras de time falam inglês, e também com a alimentação, já que ela é vegetariana. Mas, a verdade é que Dani Terra tem tirado todo e qualquer desafio de letra.
“O voleibol exige muita comunicação. Na minha posição de libero, sou responsável pela minha linha de passe, pela relação entre o bloqueio e defesa, e para conseguir organizar e ajustar tudo isso é imprescindível uma boa comunicação. Outro aspecto um pouco difícil foi a alimentação. Tive que me adequar e ainda estou me acostumando com alguns costumes alimentares diferentes”, contou Dani, que complementou.
“Mas, tiro muitos aspectos positivos dessa experiência. Conhecer e ver o jogo europeu é um ganho para mim. A minha experiência tática aqui tem sido muito diferente do que eu estava acostumada, e poder experimentar maneiras diferentes de jogar, absorver o que é bom e levar comigo o que pode aprimorar o meu jogo. É sempre muito bom ter contato com culturas diferentes, até para aprender a valorizar mais também a própria cultura. É uma experiência muito rica e muito válida, tanto profissional como pessoalmente”, afirmou Dani Terra.

Além de todo o aprendizado, a atual temporada vem sendo importante para que a líbero mostre que está com seu voleibol em dia. Jogando bem, sem dor nenhuma e completamente recuperada, Dani já pensa em voltar ao seu país, agora com uma bagagem ainda maior na carreira e na vida pessoal.
“Eu acredito que essa temporada aqui na Europa está sendo importante para poder voltar a jogar efetivamente no Brasil. Para as pessoas saberem que eu estou bem, e também por ter pego ritmo de jogo e estar jogando a temporada toda. Meu desejo hoje é voltar a jogar no Brasil, é o quadro ideal para mim e para o que eu quero para a minha carreira. Mas não fecho as portas para jogar aqui fora algum dia novamente”, concluiu Dani Terra.