Morar na Arábia Saudita é bem diferente do Brasil. Jogar vôlei na Arábia Saudita também. Mas, para a sorte deles, quatro brasileiros se encontraram no mesmo time e se ajudaram no dia a dia tão distante de casa. E a temporada vai chegando ao fim com alegria. O técnico Marco Antônio Queiroga, o levantador Rodriguinho, o oposto Luan e o ponteiro Kadu comemoram juntos o título da Copa da Arábia, conquistado ontem (04.04) pelo Al-Hilal, da cidade de Riyadh.
Comandante dessa turma, Queiroga é, dos quatro brasileiros, o mais habituado a tudo que se viveu nesta temporada na Arábia Saudita. Afinal, o treinador está desde 2019 no mundo árabe – ele teve uma passagem pelo Peru quando saiu do Brasil, do Minas Tênis Clube, em 2015.
“Em 2019 tive o convite da federação egípcia para participar do Mundial feminino infanto e disputar o pré-olímpico africano com a seleção adulta. Eles gostaram do trabalho, tivemos uma boa conexão e a partir daí me convidaram para ser o head coach de todo o voleibol feminino, mas veio a pandeia e ficamos 2020 parados. No início de 2021 fui convidado para ser treinador da seleção masculina do Bahrein. Fizemos um trabalho de abril a setembro e conseguimos o segundo melhor resultado da seleção adulta nos campeonatos asiáticos. Depois de quatro anos sem participar de competições internacionais, conseguimos levar a equipe a um patamar interessante, melhorando sua posição no ranking internacional”, contou Queiroga.

Quando, então, acabou o contrato na federação do Bahrein, em novembro do ano passado, o treinador brasileiro estava de malas prontas, prestes a voltar para o Brasil, quando surgiu o convite do Al-Hilal.
“Eu estava me preparando para ir para o aeroporto quando recebi um telefonema para vir para a Arábia Saudita. Eu já estava com a vida ajustada para voltar para o Brasil e vim para cá em novembro. Comecei o trabalho, peguei uma equipe muito insegura, muito aflita, eles têm muita cobrança para ganhar, tem um bom investimento, trouxe brasileiros, um polonês, e eu cheguei no meio do campeonato. Não foi fácil”, relembrou Queiroga.
O treinador buscou entender a competição, estudou e tentou se adaptar a todas as novidades o mais rápido possível. “Tive que me adaptar ao clube, a competição, conhecer os adversários e tive a alegria de ter o Nuti, o Oscar e o Renato, que me ajudaram muito com informações. Fui conhecendo a equipe, fomos crescendo, treinamos bastante, começamos o segundo turno do campeonato em janeiro e em 11 partidas, ganhamos 10. Foi muito bom e a partir daí a coisa começou a tomar um corpo”, contou Marco Antônio Queiroga.

O time finalizou o campeonato nacional em segundo e, para encerrar a temporada, enfrentou a Copa da Arábia. Segundo Queiroga, o título veio para premiar todo o trabalho desenvolvido por todo o grupo.
“Viemos para essa Copa, que foi maravilhosa e fomos vencedores. Esse campeonato veio premiar o trabalho que foi feito durante esse tempo. Conseguimos ontem um feito muito importante para o clube e, para mim, foi uma experiência muito enriquecedora. Temos o problema da língua, da cultura, da educação esportiva, então tivemos que adaptar uma série de coisas. Foi muito trabalho e hoje estou feliz. Vim sozinho, sem preparador físico, sem estatístico. É uma situação muito diferente, mas conseguimos controlar a pressão e fechamos a temporada com chave de ouro. Trabalhar com os três brasileiros foi incrível. São garotos espetaculares, profissionais do mais alto nível e fizemos um trabalho que me deixou muito contente”, afirmou Queiroga.
Dificuldades no começo e alegria no final da temporada
O ponteiro Kadu também enfrentou dificuldades de adaptação na chegada, mas encerra a temporada feliz com o título conquistado.
“Para mim foi bem difícil a adaptação. Pensei que seria parecido com os Emirados Árabes, onde eu estava jogando na temporada passada, mas aqui na Arábia Saudita o clima é mais seco, a alimentação é mais difícil. Eu demorei bastante para me adaptar. Os três primeiros meses não fiquei tão bem com a alimentação, dormia mal, mas depois melhorou. Ainda assim hoje em dia tenho um cansaço que nunca tive. Acho que é muito pelo clima de deserto e eu, que tenho rinite, sofro bastante com isso”, contou Kadu.

O ponteiro, que foi vice-campeão mundial com a seleção brasileira em 2018, buscou viver a experiência da melhor forma possível.
“Na questão do vôlei, do nível que eu estava no ano passado, nos Emirados Árabes, para cá, achei melhor. Fora essa questão da adaptação, que demorou um pouco, foi uma boa temporada para mim. Vim me esforçando bastante, me destacando e gostei, apesar de a vida ser bem restrita por aqui. Como foi o meu primeiro ano, fui descobrindo, tentando entender como tudo funciona. Não tem muitas opções para relaxar, de lazer, mas gostei de jogar aqui”, disse Kadu.
O oposto Luan, que foi o último a chegar ao grupo, somente em janeiro deste ano, depois de uma passagem pela Turquia. Para ele, tudo foi um pouco mais simples. Apesar de ter menos tempo para a experiência, o brasileiro deixa o país grato a tudo o que viver.
“Apesar de ser um país muito fechado por causa da religião, eu curti muito. Fui muito bem recebido e, claro, tendo dois jogadores e o técnico brasileiro tudo fica mais simples e legal”, comentou Luan.
Para o levantador Rodriguinho, a experiência na Arábia Saudita foi super válida e ele já está embarcando em mais uma vivência nova, desta vez em Dubai.
“Foi uma temporada de muito aprendizado, muita experiência, completamente diferente do que temos no Brasil, mas fico muito feliz por ter disputado três campeonatos e voltar com três pódios, sendo segundo na Liga, terceiro na Copa e primeiro na Saudi Cup. Agora estou em Dubai onde vou disputar outra Copa até dia 18 e aí sim retornar pra casa”, concluiu Rodriguinho.