Eles cresceram juntos no vôlei, trilharam seus caminhos e a brincadeira de criança, então, se tornou profissão. Mas, pode ter certeza que a modalidade não é o único ponto que une Letícia e Guilherme Hage. A simpatia e a educação são características absolutamente idênticas aos irmãos que até tentam evitar, mas quando estão de férias, na cidade-natal, em Araraquara (SP), acabam sempre conversando sobre vôlei.
Até porque os dois foram incentivados pelos pais a entrar nesse mundo do esporte. E quer mais motivos para o assunto girar em torno do voleibol? Além de Letícia e Guilherme, a irmã mais velha, Gabriela, hoje com 34 anos, também jogou e foi uma das principais inspirações em casa. Ah, quer mais um? Eles são primos da Cacá, esposa do Lukinha, líbero do Sada Cruzeiro, que se junta a família no período das férias.
Ou seja, a modalidade realmente faz parte da família Hage. “O vôlei entrou na minha família pela minha mãe, que jogou na época de escola. Eu fiz todos os esportes possíveis e quando cheguei aos 8, 9 anos, os meus irmãos começaram a viajar para jogar e foi muito por inspiração deles. A minha irmã não chegou a jogar profissionalmente, e o meu irmão seguiu. Com certeza os dois me inspiraram muito”, disse Letícia, central, de 31 anos.

Ali no meio, entre as duas meninas, Guilherme foi de inspiração a exemplo. Há nove anos fora do país, o ponteiro acumula uma experiência enorme, que foi extremamente útil para Letícia, que jogou pela primeira vez no exterior nesta última temporada que passou.
“Ele me deu várias ficas. Esse ano me deparei com uma cultura muito diferente, a Polônia é bem diferente, e ele me ensinou várias coisas sobre jogar na Europa. Quando a gente está no Brasil, tem um certo controle, conhece os técnicos, as jogadoras, já sabe o que vai encontrar. E quando vai para a Europa, o maior desafio é o desconhecido. A gente não tem noção da mentalidade deles, do tipo de treino e o Gui me ajudou muito mesmo. As coisas que iam acontecendo comigo, ele já tinha passado por tudo”, contou Letícia, se divertindo.

Guilherme é feliz vivendo há tanto tempo fora do país. O aprendizado, em todos os âmbitos, é apontado como fator principal para isso.
“Já são nove anos fora do Brasil. Saí bem cedo, com 23, e foi uma experiência muito boa. Quase toda a minha vida como jogador eu fiz aqui fora. São seis anos na Espanha, e passei pela Itália, Argentina e França. Aqui na Espanha ganhei bastante coisa, aprendi outras culturas do vôlei. Cada país que você vive é uma filosofia diferente, embora todas se assemelhem. Aqui fora pegam bastante referência do Brasil, por sermos uma potência no esporte, mas a gente acaba aprendendo um pouquinho de cada país, de cada técnico porque é normal pegar técnicos estrangeiros, ou jogar com jogadores estrangeiros e se aprende muito”, afirmou Gui.
O desenvolvimento fora da quadra também é considerado pelo ponteiro. “Fora do vôlei, aprender outro idioma, culturas diferentes, ver as coisas boas e ruins que existem nos países, e se adaptar a isso é muito interessante. Cada vez é uma aventura. E agora com a minha família. Desde o primeiro ano, a minha esposa veio comigo, depois eu tive meu cachorro e agora a minha filha e todo mundo embarca nessas aventuras comigo. Cansa um pouco, mas é uma delícia. Tem sido uma experiência ótima”, destacou Guilherme Hage.

Depois de aprender com as dicas do irmão e de vivenciar suas próprias experiências na Polônia, Letícia está de volta. A central foi anunciada pelo time do Dentil/Praia Clube para a temporada 22/23 e comemora o retorno, em especial para esta equipe onde ela já havia jogado, há anos.
“Estou muito feliz em estar de volta. Em dezembro comecei a ter essa vontade. Tenho 31 anos e aqui eu não tinha jogado em times que estavam brigando por títulos e era uma experiência que eu queria muito ter. Quando eu joguei no Praia, o projeto já era maravilhoso, mas inicial. Também queria essa experiência de jogar fora e fui. Esse ano eu pensei em voltar e o Praia era o lugar que eu mais queria estar. Tenho um amor muito grande, fui muito feliz jogando lá e estou animadíssima para essa experiência. Ficar perto da minha família, no calor, falar a minha língua, passar menos perrengue era tudo o que eu queria”, afirmou Letícia.
União e amor pelo vôlei em casa
O vôlei poderia ser um fator importante na aproximação dos irmãos e de toda a família, mas, na verdade, nem precisou. “Nós temos uma família muito unida desde sempre e, desde sempre também, a gente joga vôlei (risos). Eu comecei com 11 anos, no pré-mirim, e a Lê seguiu o mesmo rumo. Fomos evoluindo até nós dois sermos profissionais. Ficou um pouco natural essa rotina de jogador, de conversar sobre vôlei, esporte em geral”, contou Guilherme.
O ponteiro ainda lembrou da presença de mais um atleta profissional no período de férias. “Ainda tem o Lukinha, que é casado com a Cacá, nossa prima. Eles são padrinhos da Manu, minha filha, então nossas férias acabam sempre no assunto vôlei. Isso aproxima toda a família”, disse Gui Hage.

Letícia também conta um pouco sobre a rotina da família Hage quando se reúne em Araraquara. “Meu pais sempre foram apaixonados por esporte e nos incentivaram muito. Eu fiz judô, ginástica olímpica, balé, jazz, tênis, handebol, natação, e eles me apoiavam muito e me deram muita liberdade para testar os esportes. E, sim, a gente fala de vôlei, a gente bate bola no quintal de casa, vai na areia e joga, não tem jeito”, concluiu Letícia Hage.
Depois de falarmos bastante sobre os irmãos Letícia e Guilherme, o destaque vai para a lição de amor transmitida por Teresa e Ricardo, pais dos dois, que foram incentivo e exemplo durante a infância dos filhos. Sem eles, talvez nem existisse essa matéria. Parabéns, família Hage.