O último dia da temporada no centro de treinamento, em Saquarema (RJ), é de reflexão e um pouquinho melancólico. Por mais que a saída para a folga seja sempre bem recebida, os últimos momentos naquele lugar onde cada um entrega tanta dedicação e trabalho geram sentimentos fortes. É assim para Bruninho há 18 anos. O levantador da seleção brasileira vive naquele ambiente desde 2004, e nesta sexta-feira (12.08), último dia da temporada 2022, declara amor e gratidão ao CT.
O primeiro contato com o centro foi ainda pela categoria juvenil. E o ano não foi exatamente como ele esperava, já que foi cortado da seleção que se preparava para o Campeonato Sul-Americano. No ano seguinte, em 2005, porém, Bruninho estava de volta para o Campeonato Mundial. Desde lá, o levantador não esteve em Saquarema apenas por um ano, 2020, quando a seleção brasileira não se reuniu por causa da pandemia da COVID-19.

O sentimento por ter a oportunidade de viver tudo aquilo de novo todos os anos é enorme e deixa o jogador absolutamente grato. Aliás, Bruninho se sente em casa quando está em Saquarema.
“Me sinto muito bem aqui. É um lugar onde a gente se sente muito acolhido e tem um carinho muito grande pelas pessoas que trabalham aqui. Desde a tia que lava nossas roupas, o pessoal que cozinha, o Gabiru, que prepara a quadra para a gente. Todos se tornaram pessoas muito importantes na nossa preparação”, destacou Bruninho.

Estar dentro do centro de treinamento focado apenas no trabalho é algo que faz diferença e o capitão da seleção brasileira sabe disso.
“Aqui é um lugar onde realmente a gente consegue se preparar. Todas as vitórias que a gente conseguiu, a gente vai passando aqui nesse corredor e vendo as fotos pelas paredes, e todo o processo para isso é feito aqui. Todo o trabalho e dedicação diária daqui que levou a essas fotos nos pódios. Isso, sem dúvida alguma é muito marcante”, afirmou Bruninho.
Começar a temporada significa, além de trabalhar e buscar novas conquistas. E encerrar cada temporada no centro de treinamento representa ainda mais o desejo por uma nova foto no enorme mural de conquistas exposto no CT.
“Toda vez que eu entro aqui eu falo ‘começou’ e agora, se Deus quiser, lá na frente, a gente vai ter mais uma foto colocada nessa parede”, contou o levantador, confessando seus pensamentos.
Bruninho ainda não pensa em parar de jogar. Está esbanjando saúde, entusiasmo e disposição para seguir representando o vôlei brasileiro. Mas, quando aposentar da seleção ele tem uma certeza: vai sentir saudade de Saquarema.

“Com certeza vou sentir falta. Das pessoas que estão aqui, de todos os funcionários, a galera que ajuda a gente aqui, e do dia a dia. Por mais que seja um dia a dia de muito trabalho, um pouco maçante, mas para quem ama isso aqui é incrível. Sem dúvida alguma vou sentir falta de Saquarema”, concluiu o capitão.
Bruninho e a seleção brasileira saíram de folga nesta sexta-feira e viajam na segunda (15.08) para dois amistosos na França contra os donos da casa, e logo depois para a Eslovênia para a disputa do Campeonato Mundial. Lá, o Brasil vai buscar o quarto título e a caminhada começa no dia 26 de agosto, contra Cuba. Ainda na primeira fase, a equipe dirigida pelo técnico Renan enfrenta Japão e Catar.