Bernardinho tem o dom de confundir as pessoas. Ao mesmo tempo em que a expressão séria, e muitas vezes brava, enquanto está na beira quadra pode assustar, a feição tenra e as palavras mansas e extremamente educadas atraem quando ele está fora do momento tenso do trabalho. Bernardinho é discreto. É exemplo, referência. Mas não se comporta assim. Bernardinho age como um educador. Alguém que ensina. Que tem o dom e o total interesse de passar seus profundos conhecimentos adiante.
Em meio a preparação para mais uma temporada da sua carreira, um dos mais consagrados técnicos do mundo está Na Nossa Rede para contar um pouco mais sobre sua história. Também neste bate-papo ele mistura momentos de descontração e risos com concentração e absoluta seriedade ao lembrar de episódios marcantes da sua trajetória no clube – Sesc RJ Flamengo, que comanda há anos e anos – mas principalmente na seleção brasileira.

São muitas as lembranças e momentos que são colecionados com muito carinho, mas, entre tantas funções que exerce no seu dia a dia, Bernardinho não esconde que ser técnico é a que mais gera prazer e satisfação.
“Claro que participar de projetos, com muita gente jovem, quando não é de idade, é de espírito, dar uma palestra é super bacana, se conectar com pessoas e de alguma forma poder inspirar um pouco, isso me atrai, mas o que me faz suspirar é a quadra. E não é exatamente o lado do glamour ou holofotes. Não são as luzes das câmeras que me atraem, é o que ninguém vê. É estar em Saquarema, na Urca treinando, trabalhando. Eu adoro isso”, afirmou o treinador.
A rotina super acelerada e dividida entre clube e seleção foi incessante e absolutamente agitada por cerca de 20 anos. Em 2016, logo após a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio, Bernardinho se viu diante de uma mudança – nem tanto na rotina, que se manteve acelerada, mas aquele trabalho tão importante e que ocupava um espaço especial no coração.
“Eu sinto muita falta. Nunca tive paralização. Fiz seleção e clube ao longo de toda a minha carreira praticamente. Quando tem uma parada, eu fico perdido. Claro que faço coisas como estar mais presente como pai das meninas, do Bruno, mas surgem mais solicitações de trabalho em outras áreas. Eu sinto falta”, garantiu Bernardinho.
O restante desse papo que funciona mais como uma aula do que uma entrevista, você vê no vídeo abaixo: