Aos 37 anos, Alison Cerutti segue inabalável nas areias. A experiência que carrega junto com a idade só é comparável ao seu currículo. A quantidade de títulos conquistados pelo Mamute é enorme, mas citar campeão olímpico e campeão mundial talvez sejam suficientes para destacar a importância do atleta para o vôlei de praia brasileiro. Ainda que não tenha parceiro definido e nem mesmo a confirmação se estará na busca pela classificação para os Jogos Olímpicos de Paris-24, Alison está treinando forte no Centro de Desenvolvimento de Voleibol (CDV), em Saquarema (RJ).
A preparação, independentemente de algum objetivo específico, vai manter o atleta no mais alto nível. Comandado pelo técnico Wallace Ramos, Alison vem treinando ao lado do jovem Igor Borges neste período de concentração em Saquarema. O trabalho focado não é novidade na carreira do experiente jogador, mas, desta vez, acontece de forma antecipada e ao lado da dupla recém-formada, Evandro e Artur Lanci, que também trabalha com Wallace.
“Essa é minha segunda semana de trabalho aqui depois das férias. Estou fazendo uma pré-temporada como fiz todos os anos. A diferença é que eu vinha para cá mais perto do carnaval, com cinco, seis semanas de trabalho. Agora estou aproveitando essa oportunidade que o Evandro e o Arthur estão treinando lá no CT com o Wallace, com foco em Olimpíada, e, para mim, está sendo muito importante treinar com eles porque eles acabam puxando o nível, jogando para cima e eu acabo ajudando também”, detalhou Alison.

Os dias de trabalho ao lado de Igor Borges, 12 anos mais jovem, vêm sendo encarados de forma muito prazerosa. Mas, Alison faz questão de enfatizar que ainda não tem definição sobre parceiro e que vem curtindo a fase.
“Chamei o Igor, que é um menino mais novo, carioca, ele aceitou na hora e está sendo legal essa troca. Ainda não tenho parceiro para o Circuito Mundial, mas está sendo legal conhecer atletas diferentes e mais jovens. Essa experiência fora ajuda muito dentro de quadra, e essa troca que estou tendo com os meninos é muito interessante. Treinei bloqueio com o Evandro, tivemos muita conversa. E com o Arthur também, sempre tirando dúvidas”, contou Alison.
Passando adiante
Depois de tanto aprender com pessoas e com suas próprias experiências, Alison é, sem dúvidas, um dos melhores “professores” que os atletas mais jovens podem ter. Acumular tantas vivências e agora ter a oportunidade de passar adiante é algo que vem agradando o campeão.
“Eu tive isso com o Emanuel jogando, mas não tive como assessoria. E treinando junto, a gente dá um toque um para o outro e o nível volta. Eles conseguem me puxar para o nível mais alto e eu consigo ajudar eles também. Essa é a intenção de estar treinando junto e eu estou curtindo. Eu recebi muita ajuda e eu acho que o Brasil está em um caminho que precisa muito disso. A gente tem que passar para frente o que sabe e aprender com essa geração nova”, disse.



Quem será o próximo a aprender de perto todos os dias nesta próxima temporada ainda não foi dito, mas Alison já está exercendo esse importante papel há alguns anos.
“Passei muita coisa para o Bruno, e ele passou para mim. Passei muito para o Álvaro, que foi um super ciclo, e estou passando para o Evandro e para o Arthur. Estou passando para o Igor, treinando esses dias com ele, e estou recebendo deles. Isso é bacana. Estou deixando o Igor bem solto, falo para surfar a onde dele que eu vou indo. Eu gosto muito disso”, concluiu Alison.