Pietra Jukoski, 23 anos, 1,85m, taurina, ponteira, nascida em Maringá (PR), criada em Gravataí (RS) e, desde 2016, moradora de Florianópolis (SC). Agora vamos mais um pouquinho adiante. Filha do campeão olímpico Paulão e irmã do levantador Pedro Jukoski. Deu pra entender que a pauta na família é quase sempre voltada para o vôlei, né… E ai da Cacau, a matriarca dessa família voleibolista, se ela não gostasse da modalidade. Sorte que, mesmo sem ter jogado, a mamãe Jukoski também adora vôlei.
A caçulinha cresceu em meio ao voleibol. O que era diversão se tornou profissão. Mais do que isso. Se tornou paixão. Através do esporte que escolheu para a vida – ou será que foi escolhida? – Pietra vive experiências que talvez não tivesse a oportunidade por outras formas. Como, por exemplo, ter morado no Egito e agora morar na Polônia.
“Vôlei é paixão. É gratificante poder chamar de trabalho algo onde eu posso ser eu mesma, buscar evoluir o tempo todo e me divertir ao mesmo tempo. No qual eu me entrego todos os dias, vivo experiências diferentes a todo o momento. E o mais importante, o vôlei me proporciona desde cedo a conhecer novos lugares e me conectar com pessoas do mundo todo. Isso não tem preço”, afirmou Pietra.

A jogadora tem opções de escolha onde buscar inspiração para evoluir todos os dias no vôlei. O pai, por motivos óbvios, é uma grande referência, e o irmão, três anos mais velho, é outra. Ter visto de perto tudo o que Pedro representa dentro de quadra foi fundamental para formar a Pietra atleta.
“Meu pai sempre deixou muito claro para seguirmos nossos corações. A pergunta sempre era se estávamos felizes. Desde muito cedo meus pais incluíram o esporte num geral nas nossas vidas. Lembro de sempre assistir e torcer pelo Pedro. Óbvio que ter uma referência como o meu pai dentro de casa é de abrilhantar os olhos. Mas, sinto que por ver de perto a energia que o Pedro, desde pequeno, entrega dentro de quadra me inspirou a querer começar no vôlei. Digo que os dois foram as minhas maiores inspirações”, contou Pietra.
Quando a família consegue se reunir, o assunto você já sabe qual é: “não tem como negar (risos). Pode ser um jantar na sexta-feira ou no almoço de domingo, assunto vai, assunto vem e sempre acabamos comentando sobre o vôlei. Inevitável”, se divertiu a ponteira.

Porém, atualmente tem sido difícil comentar sobre vôlei ao vivo e a cores. Paulão e Cacau seguem em Floripa, Pedro esta na Espanha e Pietra na Polônia. E essa tem sido a parte mais difícil da boa experiência de viver em outro país.
“Estar longe de quem amamos nunca é fácil. E vejo nesses últimos anos de pandemia o tanto de incertezas que enfrentamos dia após dia. Isso me faz refletir bastante sobre estar longe da família. Mas, nos apoiamos muito. E por mais que a saudade grite, sabemos que é por um bem maior e que faz parte da nossa vida enfrentar esses sacrifícios às vezes. E o nosso amor nos fortalece muito nesses momentos”, disse Pietra.
E, como dito, a jogadora não nega: é uma boa experiência ter a chance de conhecer países, pessoas e culturas. A experiência de não só conhecer, mas morar fora começou em um país onde Pietra viveu momentos inesquecíveis: Egito.
“La é totalmente diferente. Eu enxergo minha passagem pelo Egito com muito carinho. Tenho muito orgulho de mim mesma por ter encarado esse desafio. Eu vejo um crescimento pessoal muito grande, e na época isso começou a refletir também dentro de quadra. Hoje, sei que foi muito importante estar lá na minha primeira temporada como profissional. Aprendi e amadureci bastante”, contou Pietra.
Nesta temporada 2021/2022 sua casa é a Polônia. E a experiência segue sendo válida. “Acredito que em todos os momentos da vida encontraremos pontos positivos e negativos. E não necessariamente os negativos sempre serão ruins. A vida é feita de escolhas, por mais que às vezes pareça que outra opção seria melhor, temos a possibilidade de transformar no mais positivo possível onde estamos. A liga polonesa vem crescendo ano após ano. Estamos com um time muito bom de trabalhar”.

Na cidade de Lódz, Pietra conta com um apoio extra, a levantadora Roberta, também brasileira, com quem divide os bons momentos e os nem tão bons assim. “Sem dúvidas, ter outra brasileira no time ajuda muito. Tanto dentro, quanto fora de quadra. Só de poder ter um abraço com o calor brasileiro por perto já aquece o coração”, disse a jogadora.
Para sintetizar tudo o que foi dito, Pietra destaca os pontos positivos e negativos dessa aventura que é jogar vôlei e viver em outro país.
“Positivo é vivenciar uma cultura diferente, aperfeiçoar e aprender outras línguas, trocar experiências dentro e fora de quadra. A estrutura dos jogos aqui é realmente incrível. Temos challenge em todos os jogos da liga e isso realmente faz diferença hoje em dia. E a parte negativa é estar longe da família, lidar com a saudade. Alguns dias são mais fáceis que os outros. Mas acredito que tudo isso faz parte do nosso crescimento como atleta e pessoa”, concluiu Pietra.
Ops, calma, não concluiu ainda não. Demonstrando toda a sua brasilidade, Pietra sente saudade de outras coisinhas, que reforça ao final da conversa. “Fora a saudade da praia e do sol, né? Chegando no Brasil é direto para a praia”, agora, sim, concluiu Pietra Jukoski.