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Feliz na Itália, técnico Cezar Douglas vive e recomeço e aprendizado longe de casa

Finalista da Superliga 16/17 com o time de Taubaté, o técnico Cezar Douglas está na Itália desde agosto de 2017, com uma passagem pelo Catar na temporada 20/21, e já de volta ao país europeu. O período longe de casa tem sido de estudo, aprendizado e, até hoje, de adaptação. E o treinador está feliz. Por enquanto não pensa em voltar para o Brasil. Aos 47 anos, Cezar pretende seguir trilhando uma trajetória de sucesso em quadras italianas.

A ideia de se transferir para outro país foi muito baseada justamente neste aprendizado. E um pouco de curiosidade também. O interesse maior veio das informações passadas por jogadores que já haviam estado na Itália.

O brasileiro Cezar Douglas no comando do seu time na Itália (Foto: arquivo pessoal)

“Primeiro veio a curiosidade de sair do país. Já vinha pensando dois anos antes por interesse de conhecer um pouco mais do método italiano. Já havia treinado vários jogadores que passaram pela Itália e isso me despertar curiosidade depois de conversar com eles a respeito das diferenças”, contou Cezar Douglas.

E o interesse se tornou realidade. Em 2018 o técnico mudou de país e usou os três primeiros meses para aperfeiçoar a língua, fazer estágio em algumas equipes e tirar o passaporte italiano.

“O programa já era estudar a língua, acompanhar os jogos da liga e, quando conseguisse me comunicar, fazer estágio. E assim foi. Fiz esse estagio e passei em alguns clubes onde tinha jogadores brasileiros, como o Modena, na outra temporada em que o Bruno estava lá. Também fiquei alguns dias acompanhando os treinos e jogos no Perugia com o Lorenzo Bernardi, e depois no Milano com o Giani”, disse Cezar.

A partir deste momento, quando o treinador estava para retornar ao Brasil, no final de dezembro, apareceu a primeira proposta.

“Tive uma proposta de uma equipe de Série B no Sul da Itália que me permitiu ser inscrito não como treinador, mas como um diretor por causa dos cursos da federação italiana. Então, iniciei na Série B, em 2018, fiz o final da temporada e comecei outra na sequência. Depois, veio a proposta para assumir o time na Toscana, o Lupi Santa Croce, onde estou hoje, como treinador, mas ainda do banco porque faltava o Nível III, e na época subimos para a categoria A-2”, contou Cezar Douglas.

Logo depois, no entanto, veio a covid-19. Depois da primeira onda da pandemia, Cezar se transferiu para o Catar, dirigiu o Al Gharafa na temporada 20/21, e retornou ao Croce. “Hoje estamos jogando a Série A-2, já estou como primeiro treinador e estamos em quarto na classificação, com dois jogos a menos”, explicou.

Dirigir um time na Itália ou no Brasil é, segundo o treinador, bem distinto. “O programa semanal é muito diferente em questão de volume de treino técnico, que é mais baixo do que a gente trabalha no Brasil, o físico também é mis reduzido, normalmente com duas sessões por semana, e isso reflete no trabalho técnico e tático, pois permite trabalhar em um volume mais longo dentro de uma sessão de treino com bola”, explicou o treinador.

As diferenças, inevitavelmente, são sentidas. Mesmo agora, depois de cerca de quatro anos e meio de Itália. “Eu posso dizer que ainda estou em adaptação. Já melhor, claro, entendendo melhor as necessidades e exigências dos jogadores dentro dos aspectos técnico, tático e de jogo e, por cada ano pegar uma equipe com jogadores diferentes, a gente vai conhecendo um pouco mais as características e mentalidades esportivas e culturais em geral deles”.

Feliz atuando no vôlei italiano, Cezar Douglas tem planos de seguir no país, ou em algum outro clube europeu, mas deixa claro que não descarta a possibilidade de retornar em breve ao Brasil.

“Estou feliz no aspecto profissional. Foi um recomeço e agora que terminei essa exigência de cursos da federação espero concluir essa temporada com um bom resultado e tentar abrir mais portas. Um técnico nas condições de trabalho que temos hoje não pode dizer que quer ficar em um lugar ou outro. Não são tantas opções de trabalho assim. Estou atento por aqui, mas sempre acompanhando o vôlei e o mercado de trabalho no Brasil. Um projeto interessante valeria a pena pra aplicar o que aprendo por aqui. Mas, quero abrir mais portas na Europa de um modo geral”, concluiu Cezar Douglas.