Discreto dentro de quadra e, segundo o próprio, fora também, constante, eficiente e um homem de confiança para qualquer grupo. O técnico que contar com ele no elenco, pode ficar tranquilo quanto ao fundo de quadra. Renato Russomanno está sempre no lugar certo pronto para dar ótimo volume de jogo ao seu time.
O que acontece é que, sendo quietinho e aparecendo um pouco menos no ataque, o ponteiro que atualmente defende o Vedacit Vôlei Guarulhos passa mais discretamente pelos olhos dos fãs do vôlei. Por isso, estamos aqui para dar destaque a enorme importância de um jogador com as características de Renato.
E para entender melhor essa função, saiba através dele mesmo: “o jogador de fundo de quadra é aquele que dá o ritmo para o jogo, o responsável por ajudar a deixar a ‘bola no ar’ o maior tempo possível e com a melhor qualidade. Tem uma função técnica muito importante, pois é o que assume, junto com os líberos, o passe, as bolas de graça passadas pela equipe adversária e os levantamentos caso o levantador faça o primeiro toque”, explicou Renato.
O ponteiro ainda seguiu com a explicação. “Ter uma boa leitura de defesa é também muito importante. Acredito que até mais do que as outras funções, porque gerando contra ataques, ajuda a equipe a ter um controle maior da partida e mais tranquilidade na fase de virada de bola”, disse Renato Russomano.

A personalidade do jogador é mais contida mesmo. Ele próprio afirma isso e, se você já observou o Renato em quadra, você vai concordar plenamente.
“Sou discreto, não sou de me expor muito, minhas próprias redes sociais são mais paradas. Sou mais família, amigos, mas na vida real mesmo. Você nunca vai me ver correndo atrás das câmeras, nunca tive ambição de ser foco em nada. Sempre pensei em trabalhar da melhor forma possível dentro da minha função, ser objetivo”, detalhou.
Não ter a responsabilidade de ser o maior pontuador do time não diminui em nada o valor de qualquer atleta que exerça essa mesma função de Renato em um time. Ser responsável pelo fundo de quadra, por dar volume de jogo, satisfaz o ponteiro, que tem como foco o resultado coletivo.
“Acredito que a questão de ser discreto dentro de quadra é pelo fato de eu nunca ter sido um jogador de pontuação. Não sou tão alto, nem tenho uma fantástica impulsão, e também não tenho um braço dos mais quentes, como a gente fala. E assim como os goleadores no futebol, no vôlei os pontuadores são os atletas de maior destaque. E isso nunca me incomodou. Cada peça tem uma função importante, e eu sei muito bem qual é a minha. O resultado final da equipe é o que mais importa”, afirmou Renato.

A carreira do ponteiro do Vedacit Vôlei Guarulhos, hoje com 39 anos, foi baseada nessas caraterísticas. O momento em que considera o auge de sua história, quando defendia a Cimed, de Florianópolis (SC), foi marcante e exatamente assim.
“A época de Florianópolis, entre 2007 e 2011, que foi quando eu conquistei a maioria dos meus títulos da minha carreira, foi incrível. Fechei com a conquista dos Jogos Pan- Americanos de 2011”, relembrou Renato.
A trajetória do ponteiro nascido em Santos (SP) também contou com uma passagem internacional. Renato Russomanno jogou na Itália, mas, infelizmente, voltou com uma experiência negativa.
“Eu rompi o ligamento do joelho jogando na Itália. É com certeza a pior coisa na vida do atleta. Eu sempre tive curiosidade de jogar fora do Brasil, mas nunca planejei isso. Foi algo que saiu naturalmente, coisa de mercado mesmo. Eu sempre me senti muito bem jogando aqui, joguei em excelentes equipes e nunca me pressionei para sair. Não é fácil jogar fora. Tudo é novo, a língua no início atrapalha, são outros costumes, você fica longe da família, a cobrança é enorme, mas é uma experiência sensacional e que amadurece demais o atleta”, afirmou.

Renato, claro, passou por um período difícil durante a lesão. O jogador já não era nenhum iniciante na carreira e muitas dúvidas surgiram. Mas, hoje ele está inteiro e afirma que não tem planos relacionados a aposentadoria.
“Naquele momento da lesão na Itália foi muito delicado. Eu nunca tinha tido uma lesão grave como essa e passei por isso com 37 anos. O corpo é o instrumento de trabalho, se não está bem, você não produz. Isso me gerou muitas dúvidas na cabeça, até mesmo achei que poderia ser meu final de carreira. Mas, muitas pessoas me ajudaram nesse processo – fisioterapeutas, médicos, família, amigos – e consegui me reerguer. Hoje estou muito feliz por estar 100% e conseguindo ajudar minha equipe. Pretendo jogar mais um tempo”, garantiu Renato.
E o Vedacit Vôlei Guarulhos agradece. Sempre importante no time que ocupa a quinta colocação na classificação geral da Superliga masculina de vôlei 21/22, Renato está absolutamente feliz no time paulista. O jogador se sente em casa e, apesar de não ser muito do tipo que faz planos a longo prazo, tem um objetivo certo: ajudar o time sempre e mais.
“Para falar a verdade eu sempre procuro pensar intensamente no presente, fazer o melhor no momento, pois acredito que o futuro é consequência disso. Eu procuro dar meu máximo sempre, me cobro demais, cobro todo mundo, às vezes sou até chato, mas isso é porque sou muito competitivo, odeio o sabor da derrota, que me afeta demais. Meus objetivos com a Vedacit são ajudar a colocar a equipe entre os grandes do Brasil, pois aqui tem tudo para isso. Tem uma gestão fantástica, profissionais de grande competência e tenho certeza que a equipe chegou pra ficar. Me identifiquei demais com a equipe e tenho uma satisfação enorme em fazer parte dela”, concluiu Renato Russomanno.