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Em um novo estilo de vida, Sidão declara amor pela família e pela moto

Ele já viajou o mundo e encontrou, em Bauru (SP), o melhor lugar para viver. Já conquistou títulos importantíssimos e tem nos filhos, Rafael e Lara, o seu maior prêmio. Tem paixão pelo vôlei, mas um amor maior pela esposa, Dani. Bom, não é muito difícil descobrir que estamos falando de Sidão. O ex-central da seleção brasileira já esteve no foco da mídia e dos fãs e hoje vive mais discretamente no interior de São Paulo após ter optado por parar de jogar e viver ao lado da família. Mas, as viagens não pararam de vez. Só que agora atreladas a outra paixão: a moto.

Hoje com 39 anos, Sidão ainda poderia estar jogando, mas as lesões no ombro acabaram atrapalhando. Ele, então, resolveu parar aos 37, quando começou a sentir também a distância da família. Na época, Sidão jogava no Sesi-SP, na capital, e Dani Lins, levantadora do Sesi Vôlei Bauru, e a filha Lara, moravam na cidade do interior. Juntou a situação do ombro com a saudade da família e tomou o que ele afirma ter sido a melhor decisão.

“Parei com 37 para 38 anos. A minha cabeça ia, mas o meu corpo já não estava acompanhando mais. Tive sérias lesões no meu ombro, e isso me limitou muito depois que fiz a terceira cirurgia. E com certeza o que mais pesou para a minha decisão foi a distância da família. Eu já tinha passado por isso com o meu filho, quando estava no auge da minha carreira, jogando na Itália e viajando muito com a seleção, e acabei aproveitando muito pouco com ele. E percebi que estava começando a acontecer o mesma com a Lara”, contou Sidão.

Sidão com a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres (Foto: FIVB)

Hoje Rafael tem 14 anos e Lar, 4. A nova oportunidade com a segunda filha foi crucial para que o ex-atleta se viesse diante de uma chance de fazer diferente agora em um outro momento da carreira. 

“Comecei a pesar muito. Quando eu ia embora de Bauru e voltava para São Paulo ficava muito mal. Elas ficavam bem tristes também, eu via que estava fazendo falta e eu também sentia muito falta. Acho que até conseguira jogar mais um ou dois anos, mas para mim não estava mais valendo a pena. Isso pesou muito e não me arrependo. Acredito que tomei a decisão certa, no momento certo. Eu tentava treinar, a cabeça ia, mas o corpo não se recuperava. Chegou o momento que era hora de abandonar e pensar no futuro”, disse Sidão, que detalhou.

“Se fosse para eu fazer uma porcentagem, mais de 90% pesou nessa questão da família na hora de decidir parar. A distancia que eu estava delas. Às vezes eu pegava 3h de viagem para vir para Bauru para passar 6, 7h com elas nas folgas de quarta à tarde e voltava. Isso começou a me desgastar muito. A gente só tem meio período de folga na semana. Aqui no Brasil treina demais. Então, ao invés de descansar, eu queria estar com a minha família. Isso me angustiava muito”, contou.

Sidão jogou por 11 anos com a camisa do Brasil (Foto: FIVB)

Sidão, então, se aposentou das quadras, se mudou para Bauru, para perto da família, e levou com ele todas as lembranças de uma história de 11 anos com a seleção brasileira e de 20 anos de carreira no voleibol.

“Hoje sou um cara super realizado. Tanto na minha vida profissional, como pessoal. Agradeço muito a Deus por tudo que eu vivenciei, presenciei tudo o que aconteceu de bom e de ruim. Foram muitos aprendizados. Tenho muitas lembranças referentes aos meus amigos, aqueles que o esporte me deu e tenho amizade até hoje. Tenho muito boas lembranças. Sinto muita falta do churrasco de Saquarema, de algumas viagens, alguns lugares que a gente ia, de campeonatos que a gente conquistou,  de lugares onde estávamos em comemorações. Tudo isso ficou muito marcado”, contou Sidão.

O ex-jogador da seleção brasileira mantém contato com alguns dos muitos amigos que fez no vôlei, mas também adotou novas amizades nesta nova fase da sua vida.

“Hoje eu tenho mais amizades de fora do voleibol. Das amizades que eu conquistei dentro do vôlei, ainda converso com a galera, tenho contato, claro, com alguns a gente se identifica mais, mas fiz muitas fora, inclusive aqui em Bauru, onde a gente mora hoje. Acho que é consequência de conhecer pessoas da cidade onde mora, do condomínio, e hoje é assim”, disse.

Dani, Sidão e Lara (Foto: arquivo pessoal)

As amizades foram mudando aos poucos e a vida também. A rotina atual é completamente diferente da que tinha quando jogava profissionalmente – a não ser pela atividade física, que segue em dia.

“A rotina que eu tinha como atleta e que eu tenho hoje são bem diferentes. Ainda vou a academia todos os dias, faço lutas, beach tennis, vou dando uma alternada porque a gente não consegue ficar sem fazer nada. Eu ainda tenho objetivos na carreira que eu quero alcançar. Estou correndo atrás e acredito que vai dar certo. A gente não para igual, mas é uma vida diferente da de atleta, de treinos, viagens. Eu estou muito feliz porque estou acompanhando a minha família o tempo inteiro, a Lara, todas as vitórias dela, vendo ela crescendo e aprendendo e isso está sendo o mais importante”, afirmou Sidão.

E se a Lara, o Rafael e a Dani são as pessoas que ganham o coração do ex-atleta, tem mais um detalhe que ocupa espaço por ali. A antiga paixão por moto ficava um pouco reprimida por causa do vôlei, claro, mas agora está super presente na vida de Sidão.

Dani e Sidão com a moto (Foto: arquivo pessoal)

“Sempre gostei de moto, mas antigamente, por causa dos contratos, não podia aproveitar tanto. Agora, sempre que posso saio para viajar uns cinco dias. Tenho rodado bastante pelo Brasil de moto, feito um monte de viagens legais, com paisagens maravilhosas e sempre curti esse estilo de vida. É uma coisa que eu me programei e me proporciona muito prazer. Tenho a paixão por moto. A gente faz muita amizade quando viaja de moto, conhece lugares maravilhosos e é muito diferente de quando viaja de carro”, descreveu.

E o melhor: as viagens, não necessariamente de moto, agora podem ser programadas e em família. Desde que Dani Lins anunciou que não iria mais para a seleção, o casal consegue ter férias quando acaba a Superliga e experimentar a vida de pessoas normais.

“Estamos há 13 anos juntos e a gente nunca conseguia se programar direito para fazer viagens. Hoje a gente tem uma programação, sabe que depois de tal data consegue fazer nossas coisas e isso é muito diferente”, concluiu um feliz e realizado Sidão.