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Campeão na areia em Brasília, Cavazin divide amor entre praia e quadra

Felipe Cavazin cresceu apaixonado pelo vôlei de quadra. Aos poucos foi acompanhando os treinos da praia, começou a bater uma bolinha e se apaixonou também. Atualmente os dois preenchem o coração do jogador que foi campeão da 4ª etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia Aberto, no último sábado (30.04), em Brasília (DF), ao lado de Felipe Alves.

É da areia que vem a sua carreira, o seu trabalho, o seu sustento. Mas a quadra não foi esquecida. Vira e mexe, Cavazin coloca o tênis, a joelheira e participa de alguns campeonatos. O mais importante mesmo é viver o voleibol.

“O vôlei é meu refúgio, minha paixão, o vôlei sempre foi o que me motivou a ir além, a ser uma pessoa melhor. Esse esporte me fez resiliente e nem me imagino sem ele. Acho que é por isso que jogo até hoje. Depois de velho ainda sentir aquele frio na barriga e aquela alegria de entrar na quadra é gratificante demais”, afirmou Cavazin.

Felipe Cavazin vibra com ponto na etapa de Brasília (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

A velhice citada vem dos seus 34 anos. Tirando o exagero da expressão, de fato Felipe Cavazin é o mais experiente da dupla de Felipes formada em setembro do ano passado. Felipe Alves tem 23 anos e vem sendo um combustível a mais na carreira de Cavazin.

“Eu precisava disso, alguém com mais energia, mais gás e gana de crescer. É muito bacana fazer parte disso tudo com o Felipe Alves. Tenho certeza que ele tem um futuro enorme dentro do vôlei de praia. Nós quase não conseguimos treinar juntos, mas o nosso estilo de jogo se encaixa”, explicou Cavazin, que mora em Maringá (PR) e seu parceiro, em Brasília.

O título gerou ainda mais entusiasmo na dupla, que quer ir cada vez mais adiante. “Esse título foi importantíssimo. Nosso objetivo sempre foi jogar bem, nos divertirmos juntos e subir no ranking. Agora classificar para o Top 8 foi sensacional. Não é esse formato que gostaríamos de estar jogando. Mas no atual cenário do vôlei de praia, é o que temos”, destacou Cavazin.

Início na quadra

Naquela época em que começou na quadra, Felipe Cavazin nunca foi um grande destaque. Sem conseguir um time para jogar, decidiu se dedicar aos estudos.

“Como não consegui um time, resolvi entrar para a faculdade de Educação Física. Vim morar em Maringá pra fazer faculdade e cerca de um ano depois, quando eu tinha 18, vi um pessoal treinando vôlei de praia. Fui lá e pedi ao Robson para fazer parte e ele deixou”, relembrou o atleta, se referindo ao técnico Robson Xavier.

Quando consegue, Cavazin ainda compete no vôlei de quadra (Foto: arquivo pessoal)

Quando se deu conta, Felipe Cavazin já estava treinando e levando a coisa a sério. Em 2007 disputou seu primeiro Campeonato Brasileiro sub-21. Naquele momento ele chegou a conclusão que a vida de atleta era mais difícil do que pensava. Mas, ao mesmo tempo, veio uma constatação importante: “vi que dali podia vir um novo sonho”.

“Quando me formei na faculdade de Educação Física, comecei a me dedicar mais ao vôlei de praia, e a rodar algumas etapas do Circuito Brasileiro adulto, que era o Open. E aí vi que estava me envolvendo mais ainda. Depois de alguns anos, já estava inserido no vôlei de praia e jogando quase todas as etapas, mas, mesmo assim, me via como amador”, contou Cavazin.

Mudança de área e volta ao vôlei

Essa falta de uma perspectiva maior levou o atleta a tomar uma nova decisão. “Resolvi entrar na universidade novamente e fiz Engenharia Civil. Sou formado em Educação Física em 2008 e Engenharia 2017. Mas, não teve jeito. Quando me formei, decidir me dar um tempo pra tentar viver somente do vôlei. E cá estou fazendo o que eu amo”, se divertiu Cavazin.

Sim, não tem jeito. A Engenharia Civil e a Educação Física desertaram o interesse do atleta, mas acabaram se tornando objetivos adormecidos. Estão ali, de lado. Afinal, quando se tem o amor verdadeiro pelo voleibol, difícil outra carreira falar mais alto.

Felipe Alves e Felipe Cavazin foram campeões no último sábado (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)