Ele fez 16 pontos no jogo passado, foi eleito o melhor jogador na vitória sobre o Vedacit Vôlei Guarulhos por 3 a 0 e, nesta terça-feira (10.01), foi escolhido pelos fãs como o Craque da Semana Zaiden. Ele vem sendo um dos destaques da APAN/Eleva, time de Blumenau (SC), onde está na segunda temporada. Alan Patrick, sem dúvida, vem chamando atenção. O ponteiro de 28 anos é diferenciado. Tem o hábito da leitura, é religioso e busca levar para o seu trabalho, para dentro de quadra, aprendizados que obtém fora dela.
A boa fase é encarada com extrema humildade e Alan Patrick sabe que o amor pelo vôlei é fundamental para alcançar o sucesso. O lado competitivo, claro, também conta. O jogador busca evoluir constantemente e faz dessa busca o seu combustível diário. Entre essa procura pelo crescimento, esteve a mudança de time. Depois de defender o Sesi-SP por cerca de 10 anos, Alan se transferiu para uma nova equipe, nova cidade, novo estado.
Chegou a Blumenau, se sentiu acolhido, manteve o empenho, o foco, a disciplina, e está voando. Nesse bate-papo, conseguimos conhecer um pouco mais do craque da APAN/Eleva que vem enchendo os olhos de quem assiste o campeonato brasileiro do voleibol. E tenho certeza: você vai se encantar.

NNR – Você fez um super jogo na rodada passada e vem em uma fase boa. O que te motiva a treinar todos os dias e buscar essa evolução constante?
Eu acredito que você estar em uma profissão, principalmente que você realmente ame, ou tem uma profunda identificação, já deveria ser o combustível para sempre buscar voos mais altos. Eu amo o vôlei e amo o que faço. Me doou 300%. Anoto tudo que preciso e quero melhorar. E a cada treino, temporada e jogo, procuro colocar em prática o “novo” que me propus a acrescentar. Logicamente não acordo todos os dias disposto a treinar, mas minha cabeça sempre está disposta, minha mente, acho que posso colocar dessa maneira, sempre competitiva não me deixa descansar. E graças a Deus vem me trazendo boas respostas.
NNR – Você parece estar muito bem adaptado ao time e a cidade. Qual é o prazer em jogar na APAN Eleva?
Já estou na segunda temporada com a equipe. Ano passado foi quase uma adaptação após jogar por quase 10 anos em uma outra equipe. Fui acolhido e muito bem aceito por todos. Os profissionais, os atletas e toda a torcida da APAN/Eleva. Me sinto bem e feliz por estar aqui. Na minha vinda ao projeto coloquei como meta continuar na busca por ser um atleta e um ser humano melhor, e também ajudar ao projeto a galgar patamares ambiciosos como, por exemplo, uma semifinal de Superliga.
NNR – Sempre vejo posts seus com livros e também sobre religiosidade. Você busca algo extra-quadra como inspiração para te ajudar nos jogos?
Eu sou espiritualizado. Sou católico, prático os ritos. Quando mais novo quase fui para seminário. Porém, o vôlei chegou (risos). Hoje procuro ser mais espiritual. Me aproximar mais da “luz” que guia meus passos. Tenho a minha guia, se chama Talita. Ela me ajuda a entender toda essa questão e, através de técnicas particulares, me trazem a essência do “eu” no mundo, possibilitando meu desempenho dentro e fora de quadra. No tocante aos livros, eu os amo. Gosto de ler sobre qualquer assunto, e no meu tempo. Não tenho essa vontade e nem tempo hábil para ler 70 livros ao ano. Mas tenho minha constância de leitura.
NNR – Há algum objetivo em que você queira e trabalhe todos os dias pra alcançar?
Como atleta profissional, que realmente pertence a casta dos ambiciosos, meu sonho seria fazer parte da seleção. Não escolho em qual campeonato ou ter especificamente qual título. Estar com a camisa da seleção é questão de orgulho e honra a qualquer atleta. Porém, tenho a noção de que é algo difícil. Existem atletas exemplares hoje, principalmente na minha posição – dos quais conheço alguns e torço verdadeiramente pelo sucesso – como o Rodrigo e o Vaccari, do Sada Cruzeiro; o Adriano, do Vôlei Renata; Victor Birigüi, do Sesi-SP; Honorato, do Itambé Minas. Sem contar no Leal e Lucarelli, que dispensam apresentações. Como pessoa, meu sonho é proporcionar o melhor para minha mãe. Ter uma vida estável onde eu possa viajar, ler meus livros e conhecer culturas e visões diferentes de mundo. Também quero cursar Direito, que é algo que tenho vontade desde os 12 anos. Quero ser uma pessoa melhor e conseguir fazer a diferença para os que estão a minha volta, seja no vôlei, ou em qualquer outro âmbito.