Depois do jogo desta quinta-feira (22.06), muita gente se perguntou como a seleção masculina do Japão chegou a este excelente nível de voleibol apresentado hoje, na vitória sobre o Brasil. A equipe dirigida pelo técnico francês Philippe Blain venceu a seleção brasileira por 3 sets a 2, se manteve como a única invicta da Liga das Nações – nos dois naipes – e mostrou mais uma vez que não ocupa a liderança do campeonato à toa.
Para tentar explicar esse excelente nível da seleção japonesa, procuramos o técnico brasileiro Leonardo Carvalho, que trabalhou as cinco últimas temporadas no Japão. Para o treinador, o bom desempenho do time não surpreende.
“Para mim não é surpresa a ótima campanha do Japão na VNL até o momento. O voleibol é muito popular no Japão e a cada ano surgem novos valores oriundos das universidades para integrar as equipes que disputam a VLeague”, comentou Léo, que atuou como assistente-técnico, ao lado de um treinador japonês.

Léo Carvalho, à direita de preto, esteve no Japão por cinco anos (Foto: arquivo pessoal)
Com o Suntory Sanbirds, o brasileiro fez três finais do Campeonato Japonês, foi campeão duas vezes, e, nesta última temporada foi campeão asiático. A proximidade com o vôlei do Japão credencia Léo Carvalho a falar com propriedade sobre o tema.
“A atual geração talvez seja uma das melhores dos últimos tempos com atletas de muita qualidade técnica e que vêm acumulando experiência internacional, como o oposto Nishida, que esteve na Itália duas temporadas atrás, e dos ponteiros Ishikawa, que joga pelo Milano, e Takahashi, que estava no Padova e essa temporada está se transferindo para o Monza, também na Itália. Estes três jogadores são os principais pilares da equipe que ainda conta com dois líberos excepcionais, Yamamoto mais forte na defesa e Ogawa com uma recepção mais estável”, detalhou o técnico brasileiro.
Léo não é uma exceção em terras japonesas. “O Japão, que nos anos 70 após a conquista do ouro olímpico em 72, se tornou uma das referências fundamentais para a criação da nossa própria escola, já há algum tempo vem importando treinadores de diversas escolas do voleibol mundial com o objetivo do proporcionar um maior intercâmbio técnico e, principalmente, proporcionar aos atletas japoneses uma preparação semelhante ao que de melhor acontece nos melhores centros de voleibol”, explicou.

Léo não se surpreende com o desempenho do Japão (Foto: arquivo pessoal)
Tudo isso foi importante para que a seleção japonesa apresentasse esse alto nível de jogo. E Leonardo Carvalho aposta em uma evolução ainda maior do grupo que compõe a seleção d Japão. “Creio que a equipe japonesa tenha todas as condições de continuar crescendo no cenário mundial nos próximos anos, pois interesse e investimento não faltam no país do sol nascente”, concluiu o técnico brasileiro.
Apesar de um apaixonado pelo Japão, Léo se despede do país após cinco anos e irá trabalhar no Al-Nassr, da Arábia Saudita, na próxima temporada.