Se você tem uma irmã ou irmão mais velho, você deve saber que esta é uma figura de exemplo a ser seguido – pelo menos na maioria das vezes, vai. Um desses casos é o da Dani Marinho, irmã pouquinho mais velha do que as gêmeas Michelle e Monique. Ela é um ano, um mês e um dia mais velha do que as meninas e foi a referência em muitos quesitos, inclusive no vôlei.
Sim, isso mesmo. Dani começou na modalidade enquanto as gêmeas faziam natação. Enquanto esperavam a irmã mais velha sair do treino, Michelle e Monique foram se empolgando, batendo uma bolinha e viraram quem são hoje, conhecidas e admiradas por muitos e muitos fãs de vôlei e companheiras de vôlei.
Enquanto isso Dani parou de jogar, morou fora no Canadá, se formou em Jornalismo, mas nunca se afastou do vôlei. Nem tem como, né. A família Marinho Pavão vive atenta a tudo o que acontece no vôlei. E Dani segue no meio através de amizades que fez desde quando jogava e também das amigas das irmãs.
Com tanta história pra contar, a frase que Dani leva como lema de vida é: o que o vôlei uniu, ninguém separa. Então, vamos ver o que essa quase trigêmea tem a nos contar.

– Você é a irmã mais velha. O exemplo a ser seguido. Há de fato essa imagem entre vocês três?
Sou a irmã mais velha, mas bem pouquinho. Eu sou de 30 de setembro e elas, 31 de outubro. Eu sou 85 e elas, 86. Foi muito rápido. Nós temos, sim, esse comportamento desde sempre. Eu sempre cuidei muito das duas e isso trouxe esse olhar de liderança, de referência como irmã mais velha. Essa imagem acontece, sim. Quando elas precisam falar comigo, ou contar alguma coisa, ou puxar orelha uma da outra, eu sou essa líder desde pequenininha. E tem uma curiosidade nesta história: eu nunca errei quem é quem. Meus pais já tentaram me confundir, trocaram roupa, colocaram cabelo igual, viraram de costas, mas eu nunca errei. Sempre soube quem era quem.
– Você também jogou vôlei, né? Acompanhou o início das meninas?
Exatamente nessa história de ser a irmã mais velha, o exemplo a ser seguido, eu que comecei no vôlei. A minha mãe deixou a gente escolher o esporte que queria e eu sempre quis vôlei. Comecei na escolinha do Fluminense de 8 para 9 anos. Depois, já comecei a treinar no pré-mirim, mirim e continuei jogando até a faculdade, quando joguei todo o universitário. Joguei um aninho de quadra e depois na praia. Aí eu fui morar fora, no Canadá, e parei de jogar. Quando crianças, nós três fazíamos natação e eu também fazia vôlei. Então quando eu começava a treinar, elas me esperavam e acho que isso incentivou a elas tentarem o vôlei também. Em um determinado momento, elas começaram a brincar e se interessaram também. Como a diferença de idade é bem pouca, a gente chegou a treinar e jogar na mesma categoria e teve ano que ficamos as três no mesmo time. Acompanhei esse comecinho delas e foi muito interessante. Brinco que ensinei a Monique a atacar e a Michelle a defender. Pela minha paixão pelo vôlei, elas acabaram seguindo, levando isso para o coração delas e tenho o maior orgulho. Hoje sou fã delas.
– As profissões de vocês tomaram rumos diferentes, mas você também trabalha com esporte, né?
Boa parte da minha adolescência e juventude foi com o vôlei, com o esporte. A gente fazia tudo no colégio. Sempre fui muito próxima do esporte, acabei fazendo faculdade de Jornalismo, o que me permitiu jogar os quatro anos de faculdade, e depois disso fui para a área de Comunicação. Meu caminho foi trilhando a paixão pelo esporte na assessoria de imprensa e foi o casamento perfeito. Hoje trabalho com futevôlei e jogos eletrônicos. Tudo foi tomando um rumo diferente, mas o esporte sempre andando em paralelo. Eu me formei em Jornalismo, elas seguiram carreira profissional no vôlei e, pela minha experiência no esporte, cuidei da imagem das gêmeas lá no início, com uma matéria ou outra, uma ação ou outra e passeei pela imagem delas. Isso foi muito bom. Faço parte da rotina delas também neste sentido profissional. A gente consegue se ajudar em várias frentes.
– Gêmeos têm sempre uma ligação enorme entre eles. E você nessa história? Sobra? (risos)
Gêmeos têm uma relação divina. A ciência explica, a genética explica. É algo muito sobrenatural e muito lindo e a relação delas é muito fofa. Elas se cuidam para caramba, se falam diariamente e elas me acionam também. Nós somos muito unidas, mas ali uma depende da outra. Elas fazem gestos iguais, comentam o mesmo story meu de forma igual, fazem escolhas iguais, é impressionante. Nessa, eu fico torcendo pelas duas como irmã mais velha mesmo. A relação delas é diária. Elas dependem uma da outra. Se entendem no olhar. Isso vem da troca desde a barriga da mamãe (risos). Eu não sobro, não (risos), mas entendo que a relação delas é sobrenatural mesmo. É muito incrível. A nossa relação sempre foi muito saudável. A gente se curte para caramba.
– Os fãs da Michelle e da Monique te conhecem ou reconhecem nos jogos? Acontece de você manter contato com eles também?
Eu sou uma fã também. Participo de tudo quanto é torcida e acabo ficando, sim, conhecida das fãs. Elas já me presentearam também, todas me conhecem e é uma relação ótima porque eu também sou torcedora das duas. Tem uma sinergia. Os fãs me chamam pelo nome e é muito legal. Eu acabo sendo parte do grupo de torcedores, mesmo sendo família.
– Se tem uma pergunta que não pode faltar é: quando uma joga contra a outra, pra quem que você torce? Como é ver as duas se enfrentando?
Quando uma joga contra a outra é praticamente um infarto o jogo inteiro (risos). Mas, na verdade, o que a gente quer ver de fora é um espetáculo, entretenimento, esporte, competição saudável. A torcida é para que as duas joguem muito bem, façam a entrega, cumpras suas tarefas nos seus times e que vença o melhor. Já teve final de uma contra a outra e eu saí cansada porque torci pelos dois times. A família inteira, na verdade. A minha mãe nem vê tanto porque fica muito nervosa. Eu e o meu pai vamos para o ginásio, viajamos e é muito nervosismo sempre. A família sai feliz quando uma ganha e um pouquinho mais tristinha pela outra que perdeu.


