Vinte e três anos dedicados ao vôlei e, há 15, afastada dele. Passado esse tempo e hoje, aos 50 anos, a vida da ex-jogadora Patrícia Cocco não esta mais entrelaçada com a modalidade. Atualmente ela se dedica a família e afirma: está feliz e realizada. Mas, depois de tantos serviços prestados ao voleibol, é claro que resgatar este ídolo e saber como anda a vida da paulista Patrícia Cocco é algo importantíssimo e, por isso, ela esta Na Nossa Rede.
Mesmo “baixinha” com seu 1m73, Patrícia se destacou em todos os clubes por onde passou. Chegou a seleção brasileira e foi campeã do Grand Prix. Aliás, conquistas não faltam no currículo da ex-ponteira, que também atuou na posição de oposta e de líbero. Ela foi vice-campeã mundial juvenil, campeã da Liga Nacional, campeã da BCV Cup, tricampeã paulista, campeã do Salonpas Cup, tricampeã da Copa do Brasil, entre muitos outros.
Foram muitos títulos, alegrias, premiações individuais e histórias que a mãe do Matheus – e dos filhos peludos Thor e Atena – e esposa do Márcio conta um pouco aqui para a gente.

– Foram quantos anos de voleibol e já está há quanto tempo afastada das quadras?
Total de 23 anos. Comecei com 13 e parei com 36, quando engravidei do Matheus. Desde quando fiquei grávida. 2007. Vai fazer 15 anos.
– Falando em afastada, em nenhum momento você teve vontade de voltar mais pra perto, jogando master ou em algum cargo de gestão no vôlei?
Na realidade eu cheguei a voltar em 2019. Estava treinando com o time de São Caetano para jogar master quando começou a pandemia. Cheguei a voltar a treinar um pouquinho, mas veio todo aquele lance da pandemia e a panturrilha também não ajudou muito (risos). Quanto a gestão, nunca pensei. Eu resolvi ser mãe mesmo, o Márcio (marido) me deu o maior apoio, foi meu braço direito e esquerdo, e me deu a opção de ficar em casa porque ele daria conta de tudo e foi o que eu fiz. Eu quis ser mãe full time.
– Hoje, você sente falta do vôlei na sua vida?
Não sinto porque eu parei porque virei mãe, que é a melhor coisa do mundo. Foi a melhor coisa que eu fiz. Demorei muito para engravidar, eu tinha problemas para ser mãe e, depois de desencanar, acabei engravidando naturalmente. Então, não me faz falta.

– Você acompanha os jogos pela TV?
Muito pouco. Assisto quando vejo que tem alguma amiga minha jogando, principalmente a Ana Cristina (levantadora do Brasília Vôlei), que é como se fosse a minha filha, a Carol Gattaz (central do Itambé/Minas), e vejo quando eu acho que vai ser um jogo gostoso de assistir, mais pegado, mas, olha, é algo que acontece raramente. Nem assino nenhum canal para isso.
– Vê algum grande nome surgindo ou alguma jogadora que te encha os olhos?
Justamente por não assistir, na minha cabeça, o que me enche os olhos, é a geração que eu joguei contra que ainda esta competindo como Walewska, Thaisa, Carol Gattaz, Fê Garay, Jaque… Gosto muito da Pri Daroit, que eu acho que deveria ter ido para a seleção, mas o Zé não convocou. O que eu vi um pouco de Olimpíada, vi a Ana Cristina, ponteira, filha da Ciça, que é uma menina que pode despontar, mas não da para falar porque eu realmente vejo muito pouco.

– Mesmo distante, hoje você traz algum ensinamento do esporte para sua vida?
Ensinamentos do esporte na minha vida são muitos. Eu gosto das coisas programadinhas, sou muito seletiva nas minhas amizades, o meu filho ama esporte e eu considero isso fundamental na vida de uma criança, um adolescente porque limita chegar coisas ruins por perto, a seriedade, conquista, tudo isso eu trago. Sempre trouxe. Qualquer esporte traz muita coisa boa na vida. Aprender a perder, a ganhar, na derrota aprender a enxergar seus erros para que não aconteça novamente. Enfim, são 23 nos. É uma vida e eu trago muita coisa para mim.
– Você consegue definir a maior alegria que o vôlei te deu?
Foi tanta coisa que o vôlei me deu… Difícil dizer uma. Por exemplo, as minhas conquistas individuais de melhor saque, melhor jogadora da Superliga, melhor jogadora do Sul-Americano, ter vencido Superliga, Campeonato Paulista, ter tido a chance e o privilégio de jogar numa seleção brasileira, participar de Grand Prix. Foram vários momentos legais. Conhecer tantas pessoas legais também foi muito importante. Eu tenho poucas, mas as minhas melhores amigas foi o vôlei que me deu. Eu não tenho nenhum arrependimento em relação ao vôlei, nem ao que eu vivi. Faria tudo de novo. Foi uma época maravilhosa.