Ser um craque, um ídolo no esporte que você representa deve ser incrível. Deve, não. É. Nós já vimos uma série deles relatando sobre a honra e satisfação de ser adorado por uma torcida. Mas, e ser parente de um ídolo desses, como será? É justamente isso que vamos saber sempre aqui no quadro “Família de Craque”, que dá o saque inicial com Amanda Souza.
Por enquanto, nenhuma pista, certo? Temos uma gama de atletas do vôlei com este sobrenome. Mas, e se eu disser que Amanda é irmã de um dos maiores opostos do mundo? Certeza que Wallace Leandro de Souza é o primeiro nome que vem a sua cabeça.
E o mais legal, e não à toa ela está estreando nosso quadro, é que Amanda, de 31 anos, também é atleta. Será que isso faz com que ela entenda um pouco melhor a rotina do irmão? Bom, vamos, então, conhecer um pouco mais sobre a experiência de ser uma craque do handebol e irmã de um craque do vôlei.

– Como é ser irmã de um ídolo? Você vai aos jogos, consegue ver a relação dos torcedores/fãs com ele?
Ser irmã de um ídolo é algo incrível, mas confesso que no começo era um tanto estranho. Sentia que algumas pessoas se aproximavam por isso e por muitas vezes eu deixava de ser a “Amanda” e passava a ser a “irmã do Wallace”. Hoje já me acostumei com tais situações e no fundo eu amo. Isso me enche de orgulho. Sempre que posso eu vou aos jogos dele e lá consigo ver a relação que ele tem com os fãs e vice versa. Acho incrível que ele é muito engraçado e, ao mesmo tempo, ele é tímido e vejo o tanto que ele fica encabulado com os pedidos dos fãs para tirar fotos, dar autógrafos e nas entrevistas. Mas convenhamos, né? Como é bom ver que ele é querido pelos verdadeiros fãs.
– Você que influenciou o Wallace a começar no esporte? Como foi esse início dele?
Ele sempre gostou de vôlei. Na escola tivemos um professor muito bacana que nos estimulou a procurar por algum clube. Na época este professor falou com nossa a mãe que o levou até o Centro Olímpico e foi daí que tudo começou. Meus pais sempre deram apoio pra que nós seguíssemos no esporte e cá estamos até hoje.

– Pois é… E o seu início? Você chegou a jogar vôlei? E o handebol, começou quando?
Eu também sempre gostei de esporte. Lembro que eu e o Wallace passávamos horas durante o fim de semana jogando vôlei na rua, taco, enfim, qualquer brincadeira com bola a gente estava dentro. No começo, por ver meu irmão no vôlei, tentei levar mais a sério o esporte, mas via que eu não tinha tanta habilidade para isso. Em uma aula de Educação Física conheci o handebol e foi amor à primeira vista. Desse dia em diante estava certa de que era este o esporte que queria pra minha vida. O meu professor, assim como fez com Wallace, me incentivou a ir para o clube, falou com a minha mãe e fomos também para o Centro Olímpico, em 2002. Passei na peneira, iniciei o treinamento e permaneci por lá até. Na sequência fui chamada para ir para São José dos Campos e a proposta era de um salário mais uma bolsa universitária. Então me vi na oportunidade de continuar jogando, mas também estudar porque sabia que sobreviver deste esporte aqui é basicamente inviável.
– Em algum momento você precisou deixar o esporte de lado por causa da fisioterapia?
Assim que ingressei na faculdade vi que a rotina seria mais puxada, mas nunca pensei em largar o esporte de alto nível e assim permaneci, jogando em alto nível e estudando. Permaneci em São José por dois anos, fiz um ano de fisioterapia lá e então voltei para São Paulo, desta vez para jogar por Guarulhos. Na época (2011), a proposta também era um salário e uma bolsa na faculdade, então topei de cara. Ingressei na faculdade aqui e segui até minha formação em 2014. Em 2012 joguei por Itapevi e este foi meu último clube no nível profissional. Vi que a demanda da faculdade estava puxada e, por conta das viagens, tinha que faltar em muitas aulas e aquilo não me deixava contente. Sabia que viver de handebol ia ser difícil, mas que ser fisioterapeuta poderia ser promissor então decidi “abandonar” o esporte de alto nível, mas nunca deixei as quadras. De 2013 pra cá jogo por times amadores onde a responsabilidade, cobrança e demanda são bem menores e, desta forma, consegui administrar os estudos e continuar jogando. Atualmente jogo pelo Villa Portare, em São Paulo (SP), que foi um time que me acolheu com muito amor e que está crescendo cada dia mais. Formamos uma família. Tem de tudo naquele time, de fisio a engenheira, então somos um time dentro e fora das quadras. Com isso, trabalho com a fisioterapia durante a semana e aos fins de semana eu jogo. Treinamos também à noite durante a semana, mas isso não impacta na minha rotina de trabalho. Amo poder fazer as duas coisas, jogar e trabalhar.

– Hoje você é realizada por nunca ter tirado o esporte da sua vida?
Como eu disse nunca parei de jogar, sempre me mantive no esporte, mas com intensidades diferentes. Eu não consigo largar o osso (risos). Inclusive este ano fui convocada para a Seleção Master de Handebol e fiquei imensamente feliz. A comissão do master faz um trabalho lindo de incentivo à continuação no esporte, tendo categoria até 46+, então, vai ser difícil eu parar (risos). E este ano o Villa Portare recebeu um convite para disputar a Liga Nacional e o Paulista. Meu técnico aceitou e nós também. Loucura? Com certeza, mas tá sendo uma experiência incrível. Nosso time continua sendo amador, onde tiramos do próprio bolso para jogar, mas graças a Deus contamos com alguns patrocinadores que nos ajudam e diminuem a sobrecarga financeira do time. Ainda assim os custos são altos, mas pagamos com muito prazer porque estar dentro de quadra com o Villa é maravilhoso.
– É fácil administrar as carreiras de fisioterapeuta e atleta?
Ser fisioterapeuta e atleta eu diria que é uma vantagem e tanto. Atendo diversas meninas do time e também costumo me atender algumas vezes. Administrar as duas carreiras é bem tranquilo. Meus pacientes (não atletas) sabem que eu jogo então sempre que preciso me ausentar por conta de algum jogo eles me apoiam e essa ligação é muito bacana. Engraçado como eles amam e ficam perguntando, pedindo pra ver fotos, vídeos e quando ganhamos pedem para ver a medalha. Normalmente os jogos são aos fins de semana e meus atendimentos acontecem durante a semana, então dificilmente uma atividade impacta na outra.
– Você já atuou como fisio do Wallace em algum momento?
Já ouviu aquele ditado que diz que “santo de casa não faz milagre” (risos)? Digamos que é mais ou menos assim, mas no bom sentido da coisa. Ele, por estar em clubes grandes, tem um ótimo suporte fisioterapêutico. Por acompanhá-lo, o fisioterapeuta tem melhor entendimento sobre as lesões dele e de certa forma consegue propor e atuar com condutas mais precisas e adequadas, então prefiro não me intrometer muito. Mas, já atendi ele algumas vezes em pós jogo que ele ia pra casa e estava com dor, ou quando estava de férias, mas nunca consegui dar sequência em um plano terapêutico. Acredito que quando ele for mais velhinho eu vou conseguir atender melhor (risos).