Em seu primeiro ano como técnico na Superliga, Guilherme Schmitz vem sendo sinônimo de sucesso na principal competição do voleibol brasileiro. Nas cinco primeiras rodadas, o Fluminense somou três vitórias e duas derrotas, e pontuou mesmo nos resultados negativos – foi superado por 3 sets a 2 para o Osasco São Cristóvão Saúde e para o Itambé/Minas. As vitórias vieram sobre o Brasília Vôlei, Unilife-Maringá e Country Club Valinhos.
Hoje, Guilherme e seu time têm mais um desafio grande: enfrentar o campeoníssimo Sesc RJ Flamengo, do técnico Bernardinho. A partida será às 20h, no Fluminense F.C., no Rio de Janeiro, e terá transmissão ao vivo do Canal Vôlei Brasil.
Antes do jogão de hoje à noite, conversamos com o treinador para saber um pouco mais sobre a sua rotina no comando do Fluminense. Cercado de grandes profissionais na sua comissão técnica e atento ao bom ambiente do time, Guilherme Schmitz vem provando que o investimento feito na sua permanência após entrar como técnico interino e livrar o Fluzão do rebaixamento na temporada passada foi uma bola certa da diretoria do clube carioca.
Agora conheça um pouco mais sobre o técnico do Fluminense.

– Como você recebeu o convite para assumir o time do Fluminense na Superliga. Imagino que dirigir um time de camisa seja diferente…
O convite surgiu de forma natural. Depois da substituição naqueles últimos quatro jogos, quando conseguimos escapar do rebaixamento, a diretoria automaticamente me convidou e me deu autorização para ir ao mercado contratar jogadoras, fazer a contratação da comissão técnica e me deu carta branca para seguir a frente da equipe. Foi uma conversa logo no dia seguinte do jogo que definiu que permaneceríamos na Superliga na temporada seguinte.
– E trabalhar num time de futebol? Rola uma pressão da torcida? Você sente isso?
Trabalho no fluminense há 18 anos, seja no adulto ou nas categorias de base. Conheço o Fluminense desde o início da minha carreira e é inerente a minha vontade essa pressão que é exercida pela torcida, pela paixão que um clube de futebol tem. Essa é a grande diferença. A torcida é apaixonada. Ela não quer saber se é vôlei, futebol, basquete, tênis de mesa, natação. Tem o símbolo do Fluminense, ela vai torcer com todo amor, carinho e paixão que tem pelo clube. Essa é uma diferença muito boa e também uma responsabilidade muito grande que tenho para satisfazer os anseios dos torcedores. A gente sabe que o investimento do time de vôlei ainda não é um dos maiores, mas o torcedor quer ver o Fluminense lutando, brigando, se entregando de corpo e alma e isso eu tenho certeza que nunca vai faltar. Trabalhar no Fluminense é um prazer. É onde eu me formei como pessoa e profissional. É minha segunda casa.
– Você tem uma boa bagagem internacional muito boa através do trabalho na seleção de base. Isso ajuda? Da pra colocar a experiência adquirida com a seleção no dia a dia do clube?
Sem dúvida. Toda a bagagem adquirida ao longo dos anos da nossa carreira é fundamental para a nossa construção no dia a dia, para não ser pego de surpresa em nenhuma situação, e estar dentro de uma comissão técnica de seleção brasileira é motivo de muito orgulho. Saquarema é um lugar de muito aprendizado. Ali aprendo mais do que ensino. Tive sempre a possibilidade de acompanhar o trabalho do Zé Roberto, Maurício Thomas, Hairton, Wagão, Picinin, todos que passaram por ali, do masculino também tive alguma forma de enxergar como um trabalha, observar como outro faz, como é p comportamento do dia a dia e isso, sem duvida, contribui muito para a minha construção como profissional. E a possibilidade de trabalhar com as meninas que eu conheço ao longo dos anos como adversárias e enxerga-las de perto é muito bacana. Colaborar com as atletas e ver a maioria já se inserindo no mercado adulto, a seleção adulta, Superliga, tudo isso é muito gratificante. Então, sem dúvida todo desse processo traz muita bagagem importante para ter a certeza que o trabalho está no caminho certo.
– Você montou uma comissão técnica bem experiente e de qualidade. Porque você procurou esses profissionais?
Ter bons profissionais ao meu lado sempre foi uma máxima minha. E quando eu tive a possibilidade de escolher esses profissionais, não tinha dúvida que eu ia fazer de tudo para tentar trazer o melhor que a gente tinha no mercado. Dentinho, Abel, Rafael Jesus, Aridone, Alexandre, Tobias, e os remanescentes, Cláudio Mota, Xandão, Dênis, Gabriel, Rafael, a nutricionista, o nosso médico, a diretoria, enfim, todos são de extrema importância. Sempre penso que ninguém ganha nada sozinho. E ter uma equipe multidisciplinar de qualidade te faz errar o menos possível. E isso é muito interessante. Dar voz as pessoas, planejar, discutir para poder entrar num denominador comum. Isso é uma “obrigação” se você quer ter sucesso dentro do trabalho. Claro que o orçamento tem que permitir, mas graças a Deus todos esses que eu falei abraçaram a ideia e estão fazendo a diferença. Ter jogadoras de qualidade exige ter uma comissão técnica de qualidade que possa fazer com que elas rendam tudo que elas têm de capacidade. Essa é sempre a minha mentalidade. Temos que ter profissionais em determinadas áreas que façam que elas consigam entregar tudo que tem. Isso tem dado muito certo, tem sido muito legal.
– O Fluminense começou a Superliga recebendo elogios, pontuando bem. Qual é o objetivo nesta temporada?
Nosso objetivo na temporada, lógico, é tentar a melhor colocação possível. Estar entre os oito é o primeiro objetivo. Dentro dos oito, buscar uma boa colocação para poder estar dentro da Copa Brasil, pegar um confronto de quartas de final onde a gente possa duelar de igual para igual e ter a possibilidade de estar em uma semifinal. Temos que sonhar sempre. Nessas primeiras rodadas, conseguimos uma pontuação expressiva, mas tem muita água para passar embaixo da ponte. É preciso ter a lucidez que o trabalho está apenas no início, a Superliga está apenas no início e que precisamos estar cada dia mais nos reinventando, trabalhando e buscando a nossa evolução e o melhor entrosamento para que, assim, a gente chegue forte até o final da 22ª rodada, quando encerra a primeira fase do campeonato.
– O grupo vem te agradando, ou mesmo surpreendendo?
O grupo é espetacular. A maioria delas eu já conhecia, já tinha trabalhado de alguma forma, seja em clube ou seleção, e tenho a tranquilidade e a felicidade de dizer que elas estão se curtindo muito. A nossa comissão e as atletas têm entrado numa sinergia muito bacana, se respeitando, se ajudando. Vejo elas sempre juntas, são amigas e, na hora que o time passar por alguma dificuldade, isso ajuda muito. Estou muito feliz e não estou surpreso. Desde julho, quando apresentamos para começar a pré-temporada, eu vi um brilho nos olhos desse grupo, com vontade de crescer, evoluir e conquistar o espaço junto. Isso é muito legal. Quero que isso aconteça ate o último dia da temporada e que a gente estreite cada vez mais os nossos laços. Minha maior função aqui é deixar o ambiente tranquilo. Estou muito feliz com a entrega das meninas e isso me motiva cada dia mais e mais.
